PUBLICADO EM 31/03/2025

Presença

 

Presença

Steven Soderbergh vive um momento muito prolífico de sua carreira, tendo lançado recentemente Código Preto e agora Presençae apesar de abordarem gêneros e temas completamente diferentes, ambos fazem parte desse novo conceito do diretor de fazer filmes mais curtos e baratos, dando uma experiência cinematográfica única e completa para o público, sem precisar ficar se apegando a grandes franquias ou eventos cinematográficos.

Na trama, Rebekah (Lucy Liu), seu marido Chris (Chris Sullivan) e seus dois filhos, Chloe (Callina Liang) e Tyler (Eddy Maday), começam a sentir uma presença estranha ao se mudarem para uma nova casa. Sob a perspectiva do espectro, acompanhamos como a dinâmica familiar é perturbada por um passado que os assombra, enquanto testemunhamos momentos íntimos e desconfortáveis. 

Enquanto em Código Preto o diretor usava vários clichês de filmes de espionagem, agora Soderbergh brinca com os filmes de casa assombrada, mas aqui ele traz algumas coisas diferentes, principalmente a câmera sempre em primeira pessoa, do ponto de vista do espírito. E como estamos presos nesse ambiente junto com a entidade, temos fragmentos da história de quando os moradores estão presentes, e vamos montando esse quebra cabeça aos poucos.

Se você espera um filme de terror tradicional, talvez vá se decepcionar, não espere muitos sustos ou jump scares, o foco do filme é no suspense construído a partir da presença estranha e no drama familiar, que gira em torno da relação do casal, que parece abalada, do trauma recente vivido por Chloe e no tratamento distinto que a mãe dá para os dois filhos.

Pelo trauma recente passado por Chloe, ela acaba sendo mais sensível a presença da entidade sobrenatural, então em determinado momento ela acaba assumindo um papel de destaque, ainda mais porque a princípio sua família custa a acreditar nela. Mas por conta disso também os outros personagens acabam ficado de lado, e alguns tópicos são levantados e nunca são devidamente explorados ou finalizados, principalmente ao que se refere ao casal.

Existem vários planos sequência onde a presença anda pela casa acompanhando os moradores, e nos sentimos também dentro daquele ambiente, e em alguns momentos onde alguém sente a presença e olha diretamente para a câmera são bem interessantes. Há vários cortes em fade out, com a tela escurecendo e mudando para algum outro momento, é um pouco repetitivo, mas funcional, uma maneira de passar para outro momento mais interessante.

Soderbergh faz um bom trabalho e surpreende ao explorar esse gênero de terror, deixando sua extensa lista de trabalhos ainda mais eclética.

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  3.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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