100 Noites de Desejo (100 Nights of Hero) é apenas o segundo longa metragem de Julia Jackman, muito embora ela tenha vasta experiência em curtas. Baseado na graphic novel de Isabel Greenberg, a diretora e roteirista faz um conto de fadas moderno, usando esse mundo imaginado para tecer comentários sobre o papel das mulheres em nossa sociedade.
Na trama, quando Manfred (Nicholas Galitzine), um hóspede encantador chega a um castelo isolado, a delicada dinâmica entre um marido negligente (Amir El-Masry), sua inocente noiva Cherry (Maika Monroe) e sua dedicada criada Hero (Emma Corrin) vira um caos.

Uma das primeiras coisas que chama atenção no filme é a direção de arte, com pouco cenários a disposição, devido a um baixo orçamento, a a compensação com o cuidado com os detalhes aos objetos de cena, e também aos figurinos, que tem classe sem ser extravagantes, mesmo se tratando de um mundo fantasioso gerido por uma crença absurda.
De uma forma descontraída e leve Jackman consegue construir sua narrativa abordando temas como feminismo, papel de gênero, religião e a importância das histórias. É impossível não fazer uma associação com Sherazade d’As Mil e Uma Noites, mas no fim o contexto da artimanha da contadora de histórias acaba sendo diferente.

É curioso pensar que o filme poderia ter mergulhado de cabeça em vários aspectos, como a comédia, o drama, ou a fantasia, mas ele acaba ficando num meio termo entre tudo isso, talvez não explorando todo o potencial da trama e deixando um gostinho de decepção.
O trio protagonista parece muito a vontade nos papéis, todas as interações entre si são muito boas, sempre com a dose certa de incômodo e um leve desconforto.
Apesar de simples, 100 Noites de Desejo é muito bem executado, e deixa uma mensagem forte ao final, que consegue fugir do padrão e mesmo assim ser palatável para as grandes audiências.


