Chegando no final do ano, prometendo ser o grande blockbuster da Netflix neste final de temporada, Glass Onion é a continuação do ótimo Entre Facas e Segredos (Knives Out no original) de 2019, e tem a difícil missão de ser pelo menos tão bom quanto o primeiro longa, sem repetir a mesma fórmula.
Na trama da sequência, o famoso detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) é convidado à uma remota ilha na Grécia para desvendar um mistério que envolve um bilionário (Edward Norton) e seu eclético círculo de amizades. É importante ressaltar que não é necessário assistir o primeiro filme para aproveitar este, são histórias isoladas e fechadas, um mistério totalmente diferente, cujo único elo é o detetive que tenta solucionar o segredo.

Se no primeiro filme o diretor e roteirista Rian Johnson brinca a expressão whodunnit (Who Done It ou em bom português Quem fez isso), aqui obviamente a bola da vez é a Glass Onion, ou Cebola de Vidro, visto que uma boa história de mistério é resolvida em camadas, como uma cebola, mas neste caso, como a cebola é de vidro, as camadas pouco importam, o centro da questão é visível desde o princípio.
E por mais que o centro seja aparentemente visível, as camadas ainda precisam ser reveladas, e novas surpresas aparecem, principalmente pela mudança de perspectiva. Mas para isso, a primeira metade do filme é meio que sacrificada. É interessante você conhecer esses novos personagens e tentar descobrir o que está acontecendo, mas fica uma impressão muito estranha, eu particularmente já estava me questionando se Johnson havia esquecido como elaborar uma boa história de mistério.
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Mas tudo fica claro quando há um grande plot twist, e temos uma nova narrativa dentro daquela narrativa que já vínhamos acompanhando, dessa forma, o cineasta consegue inovar a própria fórmula, sem cair na mesmice, e ainda ganha o efeito replay, pois é tentador assistir novamente o filme agora sabendo o que é revelado mais a frente.
Os personagens envoltos a esse mistério são de fato interessantes, e também várias caricaturas e quase tudo que há de pior na nossa sociedade atual: influencers vazios, streamers conservadores, bilionários excêntricos que se acham acima da razão, etc, e talvez isso deponha contra este filme em relação ao primeiro, apesar de engraçado em diversos momentos, é impossível criar simpatia por qualquer um deles.

E com esse seleto grupo de personagens, Johnson consegue novamente provocar e fazer críticas bem humoradas e espertas, a classes sociais mais elevadas sem parecer pedante ou chato.
Glass Onion consegue cumprir seu papel muito bem, com outro mistério bem criado e executado de forma divertida e ácida, consolidando a franquia Knives Out como o verdadeiro sucessor moderno do legado de Agatha Christie, muito mais do que as próprias adaptações de sua obra, e nos deixando com vontade do próximo capítulo de aventuras de Benoit Blanc.
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