PUBLICADO EM 24/07/2025

O Ritual

 

O Ritual

O Ritual é mais um filme de exorcismo que chega aos cinemas tentando evocar toda uma tradição já existente sobre esse gênero específico de terror, e falha miseravelmente.

Baseado em uma história real, a trama envolvendo dois padres em um momento complicado de suas vidas, enquanto um dúvida de sua fé, o outro precisa lidar com um passado conturbado. Quando uma jovem é possuída, eles terão que deixar suas diferenças e problemas de lado para gastar todo o tempo tentando salvar a garota. 

É difícil de acreditar que uma produção que tenha em seu elenco Al Pacino e Dan Stevens consiga extrair tão pouco deles. Eles preenchem todos os arquétipos do jovem padre com dúvidas sobre sua fé e do velho padre com um passado conturbado. Pacino ainda tem uma presença de respeito, mesmo muita vezes que pareça um velho amalucado. Já Stevens tem provavelmente a pior atuação de sua carreira, completamente mecânico, sem emoção ou sutileza, e não que o texto o ajude muito, mas mesmo assim, está muito abaixo do normal.

A decisão mais inacreditável do filme dirigido por David Midell, é a de utilizar uma estética de “câmera na mão”, meio tremida e com muitos closes, que se assemelha a um documentário. Talvez a ideia era dar um senso de maior veracidade a história, como se o espectador estivesse presente testemunhando esses eventos. O problema é que o filme se passa em 1928, e essa estética moderna não faz o menor sentido. Outro agravante é que parece que a única referência dos profissionais envolvidos é The Office.

O potencial de humor involuntário aqui é incrível. Uma das poucas coisas boas que pode acontecer com o filme é quando trechos deles forem parar nas redes sociais e começarem a editar com trilhas sonoras diferentes, e principalmente com a música de abertura de The Office.

Todos os clichês possíveis de filme de exorcismo são utilizados aqui, e de forma muito rasteira. Não há coragem sequer de chocar a audiência com certo nível de gore, é tudo muito básico, nem mesmo os jump scares clássicos com imagens rápidas e aumento da trilha sonora repentinamente conseguem ser bem feitos.

O próprio roteiro parece bem desinteressado com a possuída, sua história, sua família, etc. O foco fica nos padres, e mesmo assim é tudo muito raso, sem falar no etarismo implícito ao final, pois o padre velho fica dias a fio conduzindo os rituais de exorcismo para o padre mais novo na primeira vez que participa consiga expulsar o tinhoso do corpo da jovem.

Fraco em todos os sentidos O Ritual é o mais genérico possível e não conseguiria assustar, emocionar ou extrair qualquer tipo de reação genuína de alguém em posse de todas as suas faculdades mentais.

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  1.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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