O Ritual é mais um filme de exorcismo que chega aos cinemas tentando evocar toda uma tradição já existente sobre esse gênero específico de terror, e falha miseravelmente.
Baseado em uma história real, a trama envolvendo dois padres em um momento complicado de suas vidas, enquanto um dúvida de sua fé, o outro precisa lidar com um passado conturbado. Quando uma jovem é possuída, eles terão que deixar suas diferenças e problemas de lado para gastar todo o tempo tentando salvar a garota.
É difícil de acreditar que uma produção que tenha em seu elenco Al Pacino e Dan Stevens consiga extrair tão pouco deles. Eles preenchem todos os arquétipos do jovem padre com dúvidas sobre sua fé e do velho padre com um passado conturbado. Pacino ainda tem uma presença de respeito, mesmo muita vezes que pareça um velho amalucado. Já Stevens tem provavelmente a pior atuação de sua carreira, completamente mecânico, sem emoção ou sutileza, e não que o texto o ajude muito, mas mesmo assim, está muito abaixo do normal.

A decisão mais inacreditável do filme dirigido por David Midell, é a de utilizar uma estética de “câmera na mão”, meio tremida e com muitos closes, que se assemelha a um documentário. Talvez a ideia era dar um senso de maior veracidade a história, como se o espectador estivesse presente testemunhando esses eventos. O problema é que o filme se passa em 1928, e essa estética moderna não faz o menor sentido. Outro agravante é que parece que a única referência dos profissionais envolvidos é The Office.
O potencial de humor involuntário aqui é incrível. Uma das poucas coisas boas que pode acontecer com o filme é quando trechos deles forem parar nas redes sociais e começarem a editar com trilhas sonoras diferentes, e principalmente com a música de abertura de The Office.

Todos os clichês possíveis de filme de exorcismo são utilizados aqui, e de forma muito rasteira. Não há coragem sequer de chocar a audiência com certo nível de gore, é tudo muito básico, nem mesmo os jump scares clássicos com imagens rápidas e aumento da trilha sonora repentinamente conseguem ser bem feitos.
O próprio roteiro parece bem desinteressado com a possuída, sua história, sua família, etc. O foco fica nos padres, e mesmo assim é tudo muito raso, sem falar no etarismo implícito ao final, pois o padre velho fica dias a fio conduzindo os rituais de exorcismo para o padre mais novo na primeira vez que participa consiga expulsar o tinhoso do corpo da jovem.
Fraco em todos os sentidos O Ritual é o mais genérico possível e não conseguiria assustar, emocionar ou extrair qualquer tipo de reação genuína de alguém em posse de todas as suas faculdades mentais.
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