O diretor e roteirista Zach Cregger chamou atenção da indústria cinematográfica em 2022 com Noites Brutais, filme de terror de baixo orçamento bastante elogiado, que lhe rendeu ótimos oportunidades, como a vindoura nova versão de Resident Evil e seu mais recente filme, A Hora do Mal (Weapons em inglês).
Em A Hora do Mal, acompanhamos todas as crianças de uma mesma classe – exceto uma – sumirem misteriosamente na mesma noite e exatamente ao mesmo horário. Todos da cidade começam a se questionar quem ou o que está por trás deste estranho desaparecimento e as principais suspeitas recaem sobre a professora da turma, Justine Gandy (Julia Garner).
O filme é arquitetado para nos mostrar pontos de vista diferentes, começando pelo da professora, que está sendo perseguida e acusada de envolvimento com o sumiço misterioso. Cregger gasta bastante tempo explorando esse mistério junto com Justine, estabelecendo por exemplo seu problema com bebidas e sua relação com o policial Paul (Alden Ehrenreich). A principio você pode julgar que isso será importante para a trama, mas na realidade, não é.
Após isso, vários outros pontos de vista vão sendo mostrados para completar o quebra-cabeça, até você perceber que Cregger escolheu o jeito mais difícil de contar uma história simples e que nem sequer faz sentido. O único ponto de vista necessário para entender a história é o último, o resto é simplesmente enrolação.
Enquanto acompanhamos ainda Justine, temos até um jump scare gratuito com ela tendo alucinações em sonhos, que novamente, não servem de nada pra história, apenas um show off, assim como uma sequência onírica pouco inspirada de Archer (Josh Brolin), um dos pais das crianças desaparecidas. E aqui eu preciso começar a falar com spoilers, então atenção.
Na sequência de sonho de Archer ele vê uma nuvem com formato de uma arma (e só Deus sabe o motivo disso) e o horário de 2:17, quando todas as crianças saíram de casa e sumiram. Esse horário fica sendo martelado o filme todo, inclusive no nome nacional do filme, e adivinhem? Não faz a mínima diferença o horário. Poderia ser 3:15, 4:20, tanto faz.
Após esse sonho ele decide investigar por conta própria, já que faz 1 mês do ocorrido. Em uma conversa com a polícia fica claro que eles não tem muitas novidades e que “os federais” também estão cuidado do caso. Nunca vemos sequer a sombra de qualquer agente federal no filme, e ainda bem, pois seriam os agentes mais incompetentes do mundo. Esse pai desesperado após rever o vídeo de desaparecimento da filha e falar com outro pai que também tinha a gravação da hora do ocorrido, traça duas retas em um mapa e acha um local comum, onde as crianças devem ter ido. Ele com essa informação, e literalmente com o mapa marcando o local, ainda assim não consegue achar a casa específica, ele precisa da ajuda da professora que já conhecia o lugar. Veja bem, que polícia ou que agentes federais são esses incapazes de traçar retas num mapa e seguir o ponto de convergência? Após um mês de suposta investigação?

Quando descobrimos que é a velha maluca que caiu de paraquedas na cidade está por trás do sumiço, novamente a pergunta paira no ar: quem diabos está conduzindo essa investigação? Uma mulher pouco tempo antes do ocorrido chega na cidade e para ficar com a família da única criança que não sumiu e ninguém faz uma busca mais específica pra saber quem é ela ou o que ela ela fazendo ali? Precisou o diretor da escola dar uma leve pressionada para ela ser obrigada a mover seus pauzinhos.
Fica claro que ela estava doente e usou bruxaria para tentar melhorar, como ela explica pra o garoto, mas que espécie de bruxa e essa também que não faz a menor ideia do que está fazendo? Ela tenta usar os pais do garoto, e não da certo, e por algum motivo ela decide então usar todas as crianças da sala do menino, e também não dá certo, ela continuava na mesma. Ela ficou com as crianças presas no porão durante um mês inteiro, fazendo absolutamente nada. Aliás, elas estavam dando era prejuízo pois o menino tinha que ir comprar sopa pra alimentar todo mundo. Eu queria ver o ponto de vista do atendente do mercado que via o único menino da sala que não sumiu comprar 30 latas de sopa todo dia e não achar estranho.
Porque a velha se vestia de forma tão chamativa fora de casa se ela não queria ser descoberta? Porque ela mandou o menino de volta pra escola? Porque não mentir e dizer que ele sumiu também? Porque então não fazer ele mentir pra polícia e dizer que a culpada era mesmo a professora, e assim ficar livre da culpa? E após ver que, seja lá qual for a bruxaria que ela tenha feito, não deu certo, porque manter todas aquelas crianças durante um mês inteiro no porão, com a eminencia de ser descoberta qualquer momento? São simplesmente muitas questões que não fazem sentido.
Toda parte legal e descolada da edição fragmentada ou o elenco estrelado são mera perfumaria que tentam maquiar um roteiro cheio de furos. A nível de entretenimento e pegadinha do SBT baseada no filme é tão boa, ou até melhor que a produção.
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