PUBLICADO EM 27/08/2025

A Vida de Chuck

 

A Vida de Chuck

A Vida Chuck é um projeto muito curioso, pois apresenta dois grandes nomes envolvidos, o diretor e roteirista Mike Flanagan e também o escritor Stephen King, cujo conto serve de base para o filme. Sem saber mais nada em relação a produção é absolutamente compreensível imaginar que se trata de algo voltado para o terror e suspense, dado ao histórico de Flanagan na tv com séries como Missa da Meia-Noite e Maldição da Residência Hill e algumas das obras literárias de maior sucesso de King como It – A Coisa; Carrie, a Estranha e O Iluminado. Mas a verdade é que A Vida de Chuck é praticamente o oposto disso.

O longa apresenta a extraordinária história de um homem comum. A jornada de Charles “Chuck” Krantz (Tom Hiddleston) é contada de forma única e emocionante, misturando gêneros para explorar os altos e baixos da existência humana. Ao longo de sua vida, Chuck vive o encanto do amor, a dor da perda e descobre as muitas facetas que existem dentro de cada um de nós.

O filme é dividido em 3 capítulos, e eles estão organizados fora de ordem, então começamos a história pelo terço final, o que gera um misto de confusão, mistério e curiosidade. Mas a grande questão aqui é não exatamente o que é mostrado, mas sim o que isso significa. Pode ser que demore um pouco pra entendermos e fiquemos procurando respostas diretas e simples, mas Flanagan brinca com o realismo fantástico, e esse é justamente o charme do filme.

Antes de juntarmos as peças do quebra cabeça entretanto, todo o clima de mistério plantado no primeiro ato é super envolvente e bem construído. Ele é focado na relação entre Chiwetel Ejiofor Karen Gillan, casal que se separou e diante de estranhos acontecimentos decidem novamente estar próximos um do outro. A figura de enigmática de Chuck aparece em vários momentos, apenas como um pano de fundo, mas aparentemente essencial para entender o que está acontecendo.

Na segunda parte do filme, tomamos contato com Chuck de fato, e tudo parece tão simples em contraste com o que vimos anteriormente que gera mais perguntas do que respostas, que virão apenas no terceiro ato, quando vemos Chuck desde a infância até a adolescência, sendo interpretado por Benjamin Pajak e Jacob Tremblay.

A simplicidade da história, diante da maneira como ela é contada, é ao mesmo tempo seu trunfo e sua maldição. Pra quem espera algo surpreendente cheio de reviravoltas pode se decepcionar, mas quem conseguir enxergar a beleza na simplicidade vai sair satisfeito e até emocionado. Um dos maiores exemplos disso é a cena da dança, onde Chuck para no meio da rua, apreciando uma baterista e começa a dançar de forma sensacional com uma completa desconhecida. Algo extremamente simples e espontâneo, mas de uma elegância e beleza impares.

No fundo, a Vida de Chuck é sobre tentar seguir em frente, mesmo com as adversidades da vida. Os pequenos momentos simples de felicidade, são aqueles mais genuínos e que sempre vão nos marcar. Tudo aquilo que vivemos, nos molda, tanto as coisas boas, quantos as ruins, o importante é saber lidar com isso e saber que dentro do nosso próprio universo, somos a pessoa mais importante do mundo.

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  3.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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