A Vida Chuck é um projeto muito curioso, pois apresenta dois grandes nomes envolvidos, o diretor e roteirista Mike Flanagan e também o escritor Stephen King, cujo conto serve de base para o filme. Sem saber mais nada em relação a produção é absolutamente compreensível imaginar que se trata de algo voltado para o terror e suspense, dado ao histórico de Flanagan na tv com séries como Missa da Meia-Noite e Maldição da Residência Hill e algumas das obras literárias de maior sucesso de King como It – A Coisa; Carrie, a Estranha e O Iluminado. Mas a verdade é que A Vida de Chuck é praticamente o oposto disso.
O longa apresenta a extraordinária história de um homem comum. A jornada de Charles “Chuck” Krantz (Tom Hiddleston) é contada de forma única e emocionante, misturando gêneros para explorar os altos e baixos da existência humana. Ao longo de sua vida, Chuck vive o encanto do amor, a dor da perda e descobre as muitas facetas que existem dentro de cada um de nós.

O filme é dividido em 3 capítulos, e eles estão organizados fora de ordem, então começamos a história pelo terço final, o que gera um misto de confusão, mistério e curiosidade. Mas a grande questão aqui é não exatamente o que é mostrado, mas sim o que isso significa. Pode ser que demore um pouco pra entendermos e fiquemos procurando respostas diretas e simples, mas Flanagan brinca com o realismo fantástico, e esse é justamente o charme do filme.
Antes de juntarmos as peças do quebra cabeça entretanto, todo o clima de mistério plantado no primeiro ato é super envolvente e bem construído. Ele é focado na relação entre Chiwetel Ejiofor e Karen Gillan, casal que se separou e diante de estranhos acontecimentos decidem novamente estar próximos um do outro. A figura de enigmática de Chuck aparece em vários momentos, apenas como um pano de fundo, mas aparentemente essencial para entender o que está acontecendo.
Na segunda parte do filme, tomamos contato com Chuck de fato, e tudo parece tão simples em contraste com o que vimos anteriormente que gera mais perguntas do que respostas, que virão apenas no terceiro ato, quando vemos Chuck desde a infância até a adolescência, sendo interpretado por Benjamin Pajak e Jacob Tremblay.

A simplicidade da história, diante da maneira como ela é contada, é ao mesmo tempo seu trunfo e sua maldição. Pra quem espera algo surpreendente cheio de reviravoltas pode se decepcionar, mas quem conseguir enxergar a beleza na simplicidade vai sair satisfeito e até emocionado. Um dos maiores exemplos disso é a cena da dança, onde Chuck para no meio da rua, apreciando uma baterista e começa a dançar de forma sensacional com uma completa desconhecida. Algo extremamente simples e espontâneo, mas de uma elegância e beleza impares.
No fundo, a Vida de Chuck é sobre tentar seguir em frente, mesmo com as adversidades da vida. Os pequenos momentos simples de felicidade, são aqueles mais genuínos e que sempre vão nos marcar. Tudo aquilo que vivemos, nos molda, tanto as coisas boas, quantos as ruins, o importante é saber lidar com isso e saber que dentro do nosso próprio universo, somos a pessoa mais importante do mundo.
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