Coração de Lutador – The Smashing Machine é o novo filme escrito e dirigido Benny Safdie, que junto com seu irmão fez Joias Brutas (2019). O grande atrativo do seu longa anterior era atuação fora da curva de Adam Sandler, e é possível dizer o mesmo agora, com todas as atenções voltadas para Dwayne Johnson.
A trama conta a história real da lenda do MMA Mark Kerr. No auge da carreira, ele dominava o mundo das lutas, enquanto enfrentava, em silêncio, o vício, os conflitos emocionais e o peso da fama. O filme revela os altos e baixos dolorosos de um homem dividido entre o sucesso dentro do ringue e o caos fora dele.

Apesar de todo carisma de The Rock, eu particularmente nunca fui muito fã dele como ator, e é possível dizer que está é a primeira vez que ele é verdadeiramente exigido dramaticamente, e seu trabalho é muito honesto e verdadeiro. Não é exagero dizer que está é a melhor atuação da carreira dele, e não só pelo fato dele se encaixar fisicamente no papel como ex-lutador profissional, mas ele realmente passa emoções sinceras, como uma pessoa real, e não a persona carismática que ele criou ao longo de sua carreira. Se isso é suficiente para ele chegar ao Oscar, como é ventilado pela mídia e o próprio ator exprime esse desejo, é difícil dizer, pois a competição é acirrada.
Esse tipo de drama esportivo, que mostra superação do atleta, não é nenhuma novidade, e é possível ver ecos de outros longas em The Smashing Machine, como Rocky, um Lutador (1976), Menina de Ouro (2004) e O Lutador (2008), e Safdie é bem sucedido ao não tentar fugir dessas ótimas referências, mas adicionar um pouco si nisso. Muita câmera na mão, seguindo o protagonista, assim como Aronofsky faz em O Lutador, mas Safdie também utiliza alguns padrões mais comuns em documentários, o que é interessante já que este filme é baseado numa história real.
O grande problema do longa é que ele não é tão emotivo ou dramático como talvez tenha pretendido, ou pelo menos como se apresentou na divulgação. Talvez pra alguém que já conhecesse a história de Kerr e tenha contato com o mundo das lutas tenha um impacto maior, mas não foi o meu caso infelizmente. Como o final deixa claro, o longa é muito mais uma ode a figura de Kerr e da sua importância pra modalidade do MMA. Claro que não deixa de ser algo bonito e respeitoso, mas enquanto obra cinematográfica, deixa a desejar.

O recorte feito desse momento conturbado de sua carreira é ótimo, o filme não tem a pretensão de contar toda a história da vida de Kerr em duas horas, como algumas cinebiografias fazem.
Os personagens secundários infelizmente também deixam a desejar, sobretudo Emily Blunt como Dawn Staples, namorada do protagonista. E não pela sua atuação, que é muito boa, mas pela construção da personagem, que parece só orbitar ao redor de Kerr, sem ter muito o que fazer a não ser criar problemas. As idas e vindas do casal em certo momento chegam a ficar cansativas.
Coração de Lutador tem mais acertos que erros, e traz de fato uma atuação muito boa de The Rock, mas falta força pra entrar no ringue com outros dramas esportivos e competir de frente.
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