PUBLICADO EM 09/10/2025

O Telefone Preto 2

 

O Telefone Preto 2

O Telefone Preto foi uma grata surpresa de 2021, usando como base o conto de Joe Hill, há uma expansão da história, bom aproveitamento da ambientação nos anos 80, e ótimas performances do novato Mason Thames e do veterano Ethan Hawke, que surpreende fazendo um serial killer, algo muito diferente dentro da sua filmografia.

Um dos grande pontos de interrogação era se haveria realmente motivo para a continuação existir, já que o conto original, com aproximadamente 30 páginas, e já tinha sido expandido no primeiro filme. As chances da narrativa se perder eram grandes, mas felizmente não é isso que acontece.

Na trama do novo filme, acompanhamos Finn (Mason Thames), que tenta se adaptar com a nova vida após escapar do cativeiro e matar o assassino. Já Gwen (Madeleine McGraw), começa a receber ligações em seus sonhos através do telefone preto e a ter visões perturbadoras de três garotos sendo perseguidos no acampamento de inverno Alpine Lake. Com isso, Gwen convence seu irmão a ir até o acampamento e juntos, eles terão que enfrentar novamente O Sequestrador (Ethan Hawke) que se tornou ainda mais poderoso após a morte e mais ligado a eles do que jamais poderiam imaginar.

Logo de cara é possível perceber que o diretor e roteirista Scott Derrickson e o roteirista C. Robert Cargill, estão preocupados com o desenvolvimentos dos personagens principais. Mesmo com a passagem de tempo, os jovens ainda tem que lidar com as consequências dos acontecimentos brutais do primeiro filme, e como isso afeta sua vida social e a dinâmica entre eles próprios, que não são mais crianças, e sim adolescentes.

A fim de tornar tudo ainda mais pessoal e possivelmente sentimental, nos aprofundamos mais na história da família dos jovens, sobretudo a mãe que teve uma morte prematura. De alguma forma tudo acaba se conectando, o que pode soar meio conveniente, mas pelo menos é bem elaborado e faz sentido.

Desde o primeiro filme é possível perceber um pouco da influência do pai de Joe Hill, Stephen King, com foco maior em It: A Coisa, mas nesta continuação, pelo cenário de acampamento e da nova maneira que O Sequestrador age, através dos sonhos, é impossível não fazer a conexão com dois dos maiores ícones do slasher: Jason de Sexta-Feira 13 (1980) e Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo (1984). Entretanto Derrickson não se deixa levar pela nostalgia barata ou simples cópia, ele imprime sua própria personalidade as influências.

Quando estamos em algum segmento de sonho a fotografia do filme fica mais granulada e remete a filmes antigos, como se fosse alguma gravação antiga achada. O filme tem um clima muito mais tenso, com suspense e gore, do que assustador em si, há apenas um jump scare, e ele realmente funciona.

McGraw tem mais espaço para desenvolver sua personagem e usar suas habilidades, enquanto Thames oferece um lado mais dramático de seu personagem. Hawke novamente tem uma presença marcante, e se torna uma ameaça ainda mais perigosa voltando do mundo dos mortos. Não é exagero dizer que O Sequestrador se consolida como um dos grandes vilões do slasher contemporâneo.

O Telefone Preto 2 entrega uma continuação ainda melhor que o filme original, aproveitando tudo que funcionou no primeiro filme, expandindo sua mitologia, trabalhando muito bem seus personagens e estabelecendo um vilão de peso.

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SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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