PUBLICADO EM 07/11/2025

Predador: Terras Selvagens

 

Predador: Terras Selvagens

Após o filme de 1987 a franquia Predador passou por mal bocados ao longo de muitos anos, com continuações e remakes de qualidade muito aquém do esperado. Tudo mudou quando Dan Trachtenberg assumiu a franquia e deu um novo gás para ela com O Predador: A Caçada (2022), que mesmo tendo sido lançado diretamente em streaming por falta de confiança da 20th Century Studios, obteve uma ótima repercussão tanto de crítica quanto de público.

Com o sucesso ele teve sinal verde para continuar esse projeto ambicioso de expandir a mitologia do Predador, lançando este ano o inesperado Predador: Assassino dos Assassinos, ótima animação que também chegou direto em streaming e finalmente Predador: Terras Selvagensa volta em grande estilo da franquia para os cinemas.

A trama se passa em algum momento no futuro, em um planeta remoto, onde um jovem Predador chamado Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), excluído de seu clã, encontra uma aliada improvável em Thia (Elle Fanning) e embarca em uma jornada traiçoeira em busca de redenção, vingança e do adversário final.

Mais uma vez Trachtenberg mostra que é realmente apaixonado pela franquia, ele sabe o que um filme de Predador precisa para ser bom e ele usa essa base de caçada e violência para ir além. Pela primeira vez, após tantos anos, temos um Predador como protagonista de um filme, e isso permite que realmente possamos explorar um pouco mais a cultura dos Yautja.

Um dos principais fatores do filme funcionar entretanto é a humanização desse Yautja, que simplesmente quer se provar digno de entrar para o seu clã e mostrar para o pai que é de fato um guerreiro valoroso. Thia entra no meio desse processo, o ajudando a enxergar as coisas por outra perspectiva além da brutalidade do seu povo, e também descobrindo humanidade em si própria, já que é uma sintética trabalhando para a Weyland-Yutani (sim a mesma empresa da franquia Alien).

Após chegar ao planeta Genna atrás de sua caça, Dek passa por vários desafios, como fases de vídeo game, e o roteiro escrito por Trachtenberg e Patrick Aison é muito hábil em não deixar essas coisas ficarem jogadas de forma aleatória, tudo de alguma forma acaba tendo alguma serventia na grande cena final de ação.

Falando em ação, é verdade que as cenas aqui apesar de competentes, não chegam a ser tão bonitas visualmente ou muito requintadas. Em determinados momentos é até meio confuso saber como tudo está se desenrolando e meio a cortes rápidos e pouca iluminação. Os cenários no planeta também são meio básicos, embora haja uma criatividade em como a fauna e flora é explorada, visualmente não há nada que encha os olhos.

Schuster-Koloamatangi está muito bem, mesmo em baixo de próteses e maquiagens, ele entrega a brutalidade necessário ao personagem. O grande destaque fica por conta de Elle Fanning, que interpreta dois papéis distintos e dá um tom diferente para cada um dos seres sintéticos. Thia é simplesmente radiante e carismática, e acaba sendo um contraponto para rigidez de Dek, dinâmica que não é nenhuma novidade, mas que é muito difícil de não funcionar. Tessa é justamente o contrário, metódica e fria, está mais próxima de outros seres sintéticos vistos comumente nos filmes de Alien.

Apesar de ter a ação e sanguinolência que se espera de um filme de Predador, o filme se torna único por justamente subverter a expectativa e mostrar que ser uma máquina de matar desenfreada pode não ser o melhor caminho. O discurso do filme é tão claro quanto surpreendente vindo de um filme da franquia Predador, mas não deixa de ser muito bem vindo.

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SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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