Peaky Blinders começou como uma série modesta exibida no canal britânico BBC Two em 2013. Graças a um protagonista marcante a sua popularidade não parou de crescer, tendo seus direitos internacionais de exibição adquiridos pela Netflix logo antes da estreia da segunda temporada, se tornando também um dos grandes atrativos de seu catálogo de streaming.
O seriado criado por Steven Knight, é situado em Birmingham, na Inglaterra, seguindo as façanhas da gangue criminosa Peaky Blinders logo após a Primeira Guerra Mundial. A gangue fictícia é vagamente baseada em uma gangue urbana de jovens reais de mesmo nome que esteve ativa na cidade de 1890 a 1910.
Após a conclusão da sexta temporada em 2022, muitos fãs ficaram órfãos, querendo ver mais uma vez o frio e calculista Thomas Shelby, imortalizado por Cillian Murphy, então a Netflix atendeu ao pedido com Peaky Blinders: O Homem Imortal.

A trama acompanha Thomas Shelby (Murphy) saindo de um exílio no início da Segunda Guerra Mundial em 1940, tendo que encarar traumas do passado, a fúria reprimida de seu filho Duke (Barry Keoghan) e o agente nazista John Beckett (Tim Roth).
Pode parecer óbvio, mas é preciso dizer que não faz sentido começar pelo filme, não que a trama seja muito intrincada com o enredo da série, qualquer um que for assistir conseguirá entender perfeitamente o que se passa em tela, mas a ligação emocional com os personagens, é completamente diferente, e saber da construção deles também afeta sua relação com o filme.
Devido a sua formatação e ritmo, o longa mais parece um episódio duplo da série do que um filme de fato. Na primeira metade temos uma preparação de peças num tabuleiro, saber o que aconteceu com os personagens durante esse meio tempo, introduzir ou reintroduzir outros personagens, estabelecer os conflitos e motivações para que Thomas saia de seu retiro auto imposto no interior e volte para as ruas sujas de Birmingham. Na segunda metade temos Thomas de volta a ação, no melhor estilo que todo se acostumaram a ver na série.

Clillian Murphy é sem dúvida o grande destaque, como sempre foi, ele consegue transmitir suas perturbações, seus traumas, seus arrependimentos mesmo sem emitir uma única palavra. Quando ele finalmente entra novamente no pub The Garrison, e acende seu cigarro, sabemos que a cobra vai fumar.
Constantemente o enredo da série ia evoluindo, trazendo um escopo e ameaças maiores para a gangue e negócios dos Shelby, mas isso era construído a cada temporada ao longo de seis episódios de aproximadamente uma hora, aqui temos apenas duas horas para lidar com essa nova ameaça, que não acaba tendo tanto impacto como outras anteriores. A relação de Thomas com seu filho, que em teoria é o ponto central da trama, também carece de melhor desenvolvimento, fica tudo meio apressado, parece que Knight, também roteirista do filme, não soube adaptar a escrita e desenvolvimento para apenas um filme. A direção de Tom Harper, que já havia participado de alguns episódios também, não chega a comprometer, mas está longe de brilhar.
No fim das contas, o tão aguardado filme de Peaky Blinders cumpre seu propósito de forma um tanto burocrática, dando um fim digno mas sem tanto brilho para jornada de Thomas Shelby.
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