Supergirl chega após o sucesso de Superman (2025) para consolidar e expandir no no DCU nos cinemas, já que na streaming James Gunn e companhia colocaram a máquina pra girar com séries como Pacificador e Comando das Criaturas.
Na trama acompanhamos Kara (Milly Alcock), que diferente de seu primo Kal-el, cresceu no que restou de Krypton após sua destruição, e viu seus familiares e sua casa definharem aos poucos antes de ser enviada para o Planeta Terra. Quando uma jovem alienígena chamada Ruthye (Eve Ridley) pede sua ajuda para caçar o mercenário Krem — responsável pela morte de seu pai —, Kara embarca em uma violenta e épica jornada interestelar.
Logo de cara, vemos uma tentativa de distanciamento dessa Supergirl com do Superman vivido por David Corenswet, e num geral com o filme de Gunn. Craig Gillespie (Cruella, Dinheiro Fácil) tenta imprimir seu próprio estilo, trazendo um ar mais sujo e despojado, que faz todo sentido com o momento emocional da personagem, que ainda tenta encontrar seu lugar no mundo e processar os traumas do passado.

Contudo, mesmo com esse distanciamento do Superman especificamente, Gillespie esbarra em outro filme de Gunn: Guardiões da Galáxia. É difícil não desassociar as brigas de bar e o estilo mais debochado de Kara com os heróis espaciais e desbocados da Marvel. E mesmo com tantos aliens diferentes aparecendo, e algumas mudanças de paisagens em diferentes planetas, nada chega a ser muito autêntico, algo que você identifique como saído deste filme da Supergirl, e não algo que “lembra Guardiões”.
Milly Alcock encaixa perfeitamente com essa proposta da personagem, tentando lidar com os traumas do passado do seu próprio jeito torto, e suas interações com os outros personagens são interessantes, como o Lobo de Jason Momoa, mas falta ao roteiro ter a sagacidade de usar esses elementos ao seu favor para enriquecer a história.
A grande questão do filme é a busca da vingança de Ruthye, e como a Supergirl se vê no meio disso tentando lidar seus demônios internos. Assim como na história em quadrinhos que o filme se baseia, escrita por Tom King e desenhada pela brasileira Bilquis Evely, e em outras obras que vão desde Bravura Indômita ou mais recentemente The Last of Us, essa jornada que acaba unindo essas pessoas serve para aproximá-las e juntas conseguirem “se curar” ou achar um novo propósito para sua jornada. Isso é feito de forma muito simplificada pela roteirista do filme Ana Nogueira.

Nogueira não consegue mostrar como a relação entre as duas garotas evolui e se torna algo especial ao ponto de haver um catarse, como uma consegue ajudar a outra, não apenas na jornada física de busca pelo vilão, mas do ponto de vista sentimental. A presença do personagem Lobo seria ótima para mostrar um contraponto ao que a Supergirl poderia se tornar se deixasse levar pelo lado sombrio dentro de si, mas ele acaba sendo apenas um easter-egg de luxo, para os fãs olharem e dizerem “legal”.
A conclusão dessa história deve dividir os fãs, até porque o que se acena é uma falta de peso pros acontecimentos, sendo esta apenas uma introdução da personagem para trilhar outros caminhos dentro do DCU.



