Depois de 3 filmes de enorme sucesso e participações em filmes dos Vingadores, o Homem-Aranha de Tom Holland chega com seu quarto filme tentando estabelecer um reinício para o herói. Os acontecimento de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021) tem impacto direto no personagem, tanto o fato de seus amigos esquecerem da sua identidade secreta, nas principalmente a morte da Tia May (Marisa Tomei).
Isso deixa o personagem bem mais perto das fases clássicas que o consagraram nos quadrinhos, tendo que se virar sozinho, enfrentando a criminalidade em Nova York de peito aberto e carregando um grande peso nas costas. A trama mostra que à medida que as exigências aumentam, a pressão desencadeia uma surpreendente evolução física que ameaça sua sanidade, enquanto um estranho padrão de crimes dá origem a uma das ameaças mais poderosas que ele já enfrentou.

Outro aspecto que faz esse filme ser um prato cheio para os fãs de hqs, é que quase toda hora ele encontra com outro herói como o Justiceiro (Jon Bernthal) e Bruce Banner/ Hulk (Mark Ruffalo) ou algum vilão menos conhecido como Escorpião (Michael Mando), os Ninjas do Tentáculo, ou o Lápide (Marvin Jones III), mesmo que seja quase uma participação especial. É como ir virando as páginas de ugibi e encontrando esses personagens, que auxiliam na trama principal. Antes ficava bastante claro que o Homem-Aranha foi encaixado no MCU, mas em Um Novo Dia parece que o MCU que está se moldando ao universo do Aranha.
Ainda assim, há diferenças claras de uma abordagem mais tradicional do herói, como a ausência da opinião pública contra ele, personificada geralmente por J. Jonah Jameson, ou o fato dele estar ativamente trabalhando junto com a polícia, tendo a detetive Jean Dewolff (Liza Colón-Zayas) como seu contato direto.
No geral temos um amadurecimento do personagem, tendo que lidar com questões emocionais profundas, que acabam afetando também seu corpo. As mudanças físicas flertam com o arco da Aranha-Humana, onde Peter vira uma aranha monstruosa, mas infelizmente não tiveram a coragem de ir tão a fundo assim na mitologia do herói, uma penas pois seria interessante versão interagindo com o Hulk, por exemplo.

Existe uma carga dramática muito forte no longa, sendo por vezes até um pouco contemplativo, em cenas do herói patrulhando a cidade e se balançando, onde o diretor Destin Daniel Cretton usa de super closes, para capturar ainda mais esse estágio mais melancólico do herói. A relação com MJ (Zendaya) também tem um grau muito forte de dramaticidade, com as cenas de diálogos envolvendo os dois sendo bastante cruas, com uma trilha sonora pouco invasiva, deixando espaço para os atores brilharem.
Sem entrar em spoillers, todo o arco envolvendo a personagem de Sadie Sink é muito bem construído, e as ramificações que isso sem dúvida irá gerar no MCU são realmente empolgantes.
Homem-Aranha: Um Novo Dia pode não ser um filme 100% bem resolvido em termos de ritmo, nas cenas de ação ou no uso dos personagens secundários, mas acerta em cheio ao focar nos conflitos internos do personagem, sendo o filme com mais cara de Homem-Aranha de todos os que Tom Holland já fez.



