No alto dos seus 88 anos o lendário diretor Ridley Scott (Blade Runner, Gladiador) está num momento muito prolífico de sua carreira, e após Gladiador II (2024), um dos projetos mais grandiosos e ambiciosos de sua carreira ele retorna em Ponto Sem Retorno, que segue o caminho oposto.
Baseado no romance de Peter Heller, o filme apresenta um futuro devastado por uma pandemia global. Hig (Jacob Elordi) é um piloto viúvo que vive de forma isolada em um hangar no Colorado com seu cachorro e um ex-fuzileiro naval ranzinza (Josh Brolin). Embora incompatíveis, a dupla depende um do outro para sobreviver a invasores. A rotina é interrompida quando uma transmissão de rádio desperta em Hig a esperança de uma vida melhor além de seu perímetro controlado, levando-o a uma jornada de risco sem retorno.
O estabelecimento do protagonista no começo toma seu tempo, num ritmo lento e por vezes contemplativo, vamos conhecendo o seu passado aos poucos, assim como funciona a ordem atual desse mundo devastado. Fica claro o maior interesse nas pessoas e em sua introspecções no que no contexto de como o mundo ficou daquele jeito. Se você espera respostas concretas não vai achar aqui.

Junto com a construção do protagonista temos o desenvolvimento de um suspense sobre as possíveis ameaças que estão se aproximando e de um resquício de esperança de encontrar um lugar melhor, onde a sociedade tenha conseguido se reerguer da catástrofe, mas novamente nada disso é muito bem desenvolvido.
Existem duas grandes cenas de ação, que na minha opinião realmente chamam a atenção, inclusive com uma delas protagonizada por Brolin que lembra algum jogo de videogame fps. Com toda sua experiência, Ridley Scott sabe lidar com as movimentações e a pouca iluminação do ambiente.
Sem oferecer grandes reflexões, e sendo um pouco tendencioso sobre a máxima do ‘atirar primeiro e perguntar depois’, Ponto Sem Retorno fica num meio do caminho entre algo promissor e decepcionante, sem ofender nem deslumbrar ninguém.


