PUBLICADO EM 21/07/2025

A Melhor Mãe do Mundo

 

A Melhor Mãe do Mundo

A Melhor Mãe do Mundo é o novo filme da diretora e roteirista Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta?), que traz novamente uma perspectiva sobre a maternidade, dessa vez ao mesmo tempo mais crua e também lúdica.

O filme acompanha uma catadora de recicláveis chamada Gal (Shirley Cruz) que decide fugir dos abusos do marido Leandro (Seu Jorge). Focada em proteger seus filhos, a mulher abandona a casa, coloca suas duas crianças pequenas, Rihanna e Benin, na carroça e as leva numa jornada pela cidade de São Paulo.

A atitude desesperada de Gal ganha contornos lúdicos ao fazer dessa sua condição muito difícil uma “grande aventura”, para não afetar as crianças, para que elas justamente não percebam a gravidade da situação. Somos levados na garupa da carroça pelas ruas da Zona Leste e Centro de São Paulo, e mesmo com toda a frieza, sujeira e possível perigos eminentes de dormir ao relento numa grande metrópole, Muylaert consegue registrar momentos de ternura e felicidade da família de forma muito bonita.

Em determinado momento fiquei com medo que de toda essa situação fosse romantizada ou diminuída, mas isso não chega a acontecer. Fica claro entretanto que a diretora escolheu dar uma suavizada na narrativa, deixando o filme mais palatável talvez para um grande público. Não que eu ache necessário ver o sofrimento alheio de forma tão escancarada em tela, mas a situação de viver nas ruas de São Paulo, mesmo que por um curto período de tempo, deve ser considerada extrema, e o longo decide se manter afastado de um drama mais intenso, suavizando um pouco as coisas.

O grande trunfo da produção é a atuação de Shirley Cruz, que está impecável desde a primeira cena onde podemos ver ela na delegacia prestando queixa contra o marido. Em apenas alguns minutos vemos em seus gestos e olhar toda uma dúvida, ressentimento e simplicidade, que permeiam a personagem ao longo do filme.

Durante a maior parte do filme a ameaça de Leandro não é presencial, e vemos tudo pela ótica de Gal, o que simboliza também esse tipo de relacionamento, que pode deixar marcas muito além daquilo que enxergamos. Quando ele finalmente aparece, na figura imponente de Seu Jorge. e novamente existe uma dúvida em Shirley sobre o que fazer, isso mostra uma humanidade da personagem, mais do que qualquer outra coisa. E isso reforça o motivo de sua decisão final, que é catalisada não por ela, mas por conta de seus filhos.

A Melhor Mãe do Mundo está longe de ser um filme perfeito, assim como Gal, que toma algumas decisões impulsivas mas sempre pensando no bem de seus filhos. Entre erros e acertos o saldo é positivo, e pela ótica das crianças, ela é sim a melhor mãe do mundo.

Nós estamos no Facebook e você também pode nos achar no Instagram e X antigo Twitter, curta as páginas e fique por dentro do UNIVERSO REVERSO.

 

  3.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


RELACIONADOS