PUBLICADO EM 29/07/2025

Amores Materialistas

 

Amores Materialistas

A diretora e roteirista Celine Song chamou bastante a atenção da indústria em 2023 com Vidas Passadas, seu filme de estreia que foi indicados a dois Oscars, Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. A repercussão lhe rendeu bons frutos, tendo a chance agora de trabalhar com um elenco estrelado e distribuição da Sony Pictures, embora a produção ainda seja da A24.

A trama de AmoresMaterialistas acompanha Lucy (Dakota Johnson), uma casamenteira de luxo que se envolve com Harry (Pedro Pascal), um homem rico e ótimo partido, mas que ainda nutre sentimentos por John (Chris Evans), aspirante a ator e garçom humilde que ela deixou para trás.

Por mais que todo o material promocional venda o longa como uma comédia romântica padrão, era de se esperar, pelo filme anterior, que não seria apenas isso, e a bem da verdade, o filme se encaixaria melhor numa definição de dramédia romântica. Se em Vidas Passadas a diretora explorava um caso específico para falar sobre relações humanas, em Amores Materialistas ela parte de uma visão geral de como nós enquanto sociedade muitas vezes enxergamos o amor aplicado na relação da protagonista.

De início parece que até que Song tem uma visão cínica sobre o tema, extrapolando o conceito de aplicativos de namoro e martelando questões financeiras e estéticas para parceiros idealizados, mas ao longo do filme isso fica mais como uma crítica de como muitas pessoas enxergam o tema, podendo até passar por uma autocrítica, em vista que até a protagonista em determinado momento diz o quanto isso é importante pra ela a ponto de quase jogar fora o amor da sua vida.

A grande questão é que o filme se perde no meio do caminho entre ser algo mais palatável para um grande público e algo mas reflexivo. Os diálogos principalmente, reiteram toda vez a questão materialista da protagonista em relação ao amor, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Por mais que tenha quase 2h de duração, o filme carece de momentos de respiro, sem ter diálogos tão expositivos o tempo todo.

As pessoas tendem a lembrar mais de Dakota Johnson por escolhas questionáveis da carreira como a franquia 50 Tons de Cinza e Madame Teia, mas ela já provou com filmes menores como A Filha Perdida e Cha Cha Real Smooth, que é uma ótima atriz, principalmente quando tem um bom material para trabalhar. Tanto a escolha de Pascal e Evans é acertada, eles representam muito bem tudo aquilo que os personagens precisam, mas o foco principal continua sendo Johnson.

Ao final do filme, mais do que torcer para um casal ou outro, a reflexão sobre os “amores líquidos” é a que fica martelando na cabeça durante um bom tempo. Mesmo se rendendo ao discurso batido de que “o amor supera qualquer barreira”, eu gosto como Song tenta dizer algo relevante, mesmo que seja de uma forma mais pragmática do que eu particularmente gostaria.

Nós estamos no Facebook e você também pode nos achar no Instagram e X antigo Twitter, curta as páginas e fique por dentro do UNIVERSO REVERSO.

 

  3.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


RELACIONADOS