PUBLICADO EM 22/10/2025

Bom Menino

 

Bom Menino

Com a recente estreia de Caramelo na Netflix, eu ponderei sobre a vasta tradição norte americana de filmes caninos, e aqui em Bom Menino está mais um bom exemplo disso, onde temos um filme de terror estrelado por um cachorro. Já tivemos filme de terror com cachorros, como Cujo (1983) ou filme infantis pelo ponto de vista de cachorros, mas um terror pelo ponto de vista de um cachorro é a primeira vez.

Na trama, um leal cachorro (Indy) se muda para uma casa rural com seu dono, Todd (Shane Jensen), e descobre forças sobrenaturais espreitando nas sombras. Mais simples que isso impossível, o grande diferencial e o que chama a atenção para o longa é justamente ver como o filme se sustenta totalmente pelo ponto de vista de Indy.

Indy é de fato o protagonista, todos os planos e composições de cena são pensadas para destacar o simpático cachorro, inclusive com muitos closes para capturar toda a confusão mental do ator canino, que é muito bom. Os seres humanos aparecem sempre nas sombras os apenas pela altura do joelhos, no melhor estilo de desenhos animados como Tom & Jerry.

Apesar de ter um conceito muito interessante, que em certo ponto pode ser comparado com Presença, já que este outro filme também propõem um terror de assombração por um ponto de vista inusitado, a falta de um roteiro mais elaborado ou um técnica mais apurada deixa a desejar.

Não dá pra não levar em conta entretanto o baixo orçamento do filme, que dificulta a imersão quando o complemento gráfico é necessário, mas isso não justifica a falta de criatividade em criar situações que realmente gerem uma tensão ou terror genuíno.

Mesmo sem se explicar muito sobre a ameaça que ronda a casa, o que é algo totalmente compreensível, o filme parece toda hora precisar martelar algumas outras informações sobre o ambiente e os personagens. O tutor do cachorro sempre está falando no telefone para explicar e enfatizar o que está acontecendo, algo na mina opinião desnecessário.

Na verdade eu adoraria que o filme não se levasse tão a sério, podendo seguir de repente um estilo mais abstrato, caricato e lúdico como Cats On Park Avenue (1989), por exemplo. No fim das contas ainda é um filme de terror norte americano de baixo orçamento, mas com um cachorro.

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  2.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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