PUBLICADO EM 07/06/2025

Como Treinar o Seu Dragão

 

Como Treinar o Seu Dragão

A onda de transformar animações em live-actons está a todo o vapor, e depois da Disney nadar de braçada sozinha por algum tempo chegou a vez da Dreamworks fazer um remake de Como Treinar o Seu Dragão, uma de suas maiores franquias animadas.

A trama se baseia nos livros de Cressilda Cowell, e na animação de 2010, acompanhando Soluço (Mason Thames), um jovem viking que aspira a caçar dragões e se provar digno para seu pai, Stoico (Gerard Butler), mas acaba se tornando amigo improvável de um jovem dragão, o Banguela.

Já passamos da etapa de perguntar se esses remakes são realmente necessários, ou tem algum sentido de serem feitos. Muitos alegam que é para apresentar a história para um novo público em uma roupagem mais moderna, e isso faz sentido para animações feitas na época de 30, 40, 50, mas para um filme lançado em 2010, que teve sua trilogia encerrada em 2019, definitivamente não é tanto tempo assim.

E sob o pretexto de que o projeto seria feito de qualquer forma o diretor das animações Dean DeBlois assumiu o comando da produção, para pelo menos garantir que o material original seria respeitado. E definitivamente ele conseguiu atingir seu objetivo, até demais, pois algumas cenas são idênticas ao filme original, sem tirar nem por.

Toda a ambientação da ilha de Berk, da caracterização dos personagens e do CGI dos dragões está realmente impecável. Inclusive vendo alguns dos materiais promocionais eu fiquei um pouco temeroso que tudo ficasse parecendo um grande cosplay, mas não é o caso. Embora eu particularmente ache que o cabelo do Soluço não precisasse ficar tão igual, pois Thames tem cabelos cacheados, e fica nítido que fizeram uma chapinha nele para deixar liso. Essa busca por uma semelhança a qualquer custo pode passar dos limites, mas neste caso é possível superar isso e seguir em frente.

O maior desafio era fazer a relação entre um dragão de CGI e um ator real funcionar, se tivesse sido mal feito, a espinha dorsal do filme iria desmoronar, mas interação entre Soluço e Banguela é ótima. Inclusive todos os dragões estão muito bem feitos, e fico feliz que tenham novamente respeitado o design meio estranho e cartunesco deles, e não tentaram deixar algo mais realista.

Outro pilar fundamental do filme é a relação entre pai e filho, a tentativa frustrada de ambos de tentarem se comunicar entre si, o medo de decepcionar, de não ser o suficiente. E esse elemento no live-action parece até ganhar um pouco mais de peso, com os atores entregando atuações de peso. O retorno de Gerard Butler como Stoico foi realmente um acerto, na maioria das vezes acho ele meio canastrão, mas aqui ele parece muito confortável em encarnar na pele o personagem que já havia emprestado a voz nas animações.

No mais, encontramos exatamente o mesmíssimo filme, e o fato de conseguirem entregar isso com essa qualidade, não deixa de ser um grande alívio. Alguns podem dizer que é uma falta tremenda de criatividade e de coragem, mas nesse caso, tendo me arrepiado novamente com a cena do voo e da luta final, eu não tenho como não dizer que é um acerto enorme.

Como Treinar o Seu Dragão já era excelente, mas por ser animação muitas pessoas consideram com “filme de criança”, agora com o liveaction, ela pode ser vista no nível de Senhor dos Anéis e Harry Potter, outras franquias de fantasia gigantes no cinema.

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SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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