A onda de transformar animações em live-actons está a todo o vapor, e depois da Disney nadar de braçada sozinha por algum tempo chegou a vez da Dreamworks fazer um remake de Como Treinar o Seu Dragão, uma de suas maiores franquias animadas.
A trama se baseia nos livros de Cressilda Cowell, e na animação de 2010, acompanhando Soluço (Mason Thames), um jovem viking que aspira a caçar dragões e se provar digno para seu pai, Stoico (Gerard Butler), mas acaba se tornando amigo improvável de um jovem dragão, o Banguela.
Já passamos da etapa de perguntar se esses remakes são realmente necessários, ou tem algum sentido de serem feitos. Muitos alegam que é para apresentar a história para um novo público em uma roupagem mais moderna, e isso faz sentido para animações feitas na época de 30, 40, 50, mas para um filme lançado em 2010, que teve sua trilogia encerrada em 2019, definitivamente não é tanto tempo assim.

E sob o pretexto de que o projeto seria feito de qualquer forma o diretor das animações Dean DeBlois assumiu o comando da produção, para pelo menos garantir que o material original seria respeitado. E definitivamente ele conseguiu atingir seu objetivo, até demais, pois algumas cenas são idênticas ao filme original, sem tirar nem por.
Toda a ambientação da ilha de Berk, da caracterização dos personagens e do CGI dos dragões está realmente impecável. Inclusive vendo alguns dos materiais promocionais eu fiquei um pouco temeroso que tudo ficasse parecendo um grande cosplay, mas não é o caso. Embora eu particularmente ache que o cabelo do Soluço não precisasse ficar tão igual, pois Thames tem cabelos cacheados, e fica nítido que fizeram uma chapinha nele para deixar liso. Essa busca por uma semelhança a qualquer custo pode passar dos limites, mas neste caso é possível superar isso e seguir em frente.
O maior desafio era fazer a relação entre um dragão de CGI e um ator real funcionar, se tivesse sido mal feito, a espinha dorsal do filme iria desmoronar, mas interação entre Soluço e Banguela é ótima. Inclusive todos os dragões estão muito bem feitos, e fico feliz que tenham novamente respeitado o design meio estranho e cartunesco deles, e não tentaram deixar algo mais realista.

Outro pilar fundamental do filme é a relação entre pai e filho, a tentativa frustrada de ambos de tentarem se comunicar entre si, o medo de decepcionar, de não ser o suficiente. E esse elemento no live-action parece até ganhar um pouco mais de peso, com os atores entregando atuações de peso. O retorno de Gerard Butler como Stoico foi realmente um acerto, na maioria das vezes acho ele meio canastrão, mas aqui ele parece muito confortável em encarnar na pele o personagem que já havia emprestado a voz nas animações.
No mais, encontramos exatamente o mesmíssimo filme, e o fato de conseguirem entregar isso com essa qualidade, não deixa de ser um grande alívio. Alguns podem dizer que é uma falta tremenda de criatividade e de coragem, mas nesse caso, tendo me arrepiado novamente com a cena do voo e da luta final, eu não tenho como não dizer que é um acerto enorme.
Como Treinar o Seu Dragão já era excelente, mas por ser animação muitas pessoas consideram com “filme de criança”, agora com o live–action, ela pode ser vista no nível de Senhor dos Anéis e Harry Potter, outras franquias de fantasia gigantes no cinema.
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