Frankenstein é um projeto muito querido e almejado pelo diretor e roteirista Guillermo del Toro, é possível ver a influência da literatura gótica em várias de suas obras, inclusive em Pinóquio (2022) seu trabalho anterior, que absorve muito bem o tema da criatura que ganha vida, um dos temas centrais do novo filme.
Na trama, adaptada do clássico da literatura escrito por Mary Shelley, Victor Frankenstein (Oscar Isaac), um cientista brilhante e egocêntrico, dá vida a uma criatura (Jacob Elordi) em um experimento monstruoso, que acaba levando à desgraça do criador e de sua criação.

A escala do filme é enorme, ainda mais considerando que é um longa original da Netflix, que nesse caso fez questão de colocá-lo em exibição em festivais e em circuito comercial antes de chegar no streaming. Grandes cenários e figurinos caprichados dão vida a época vitoriana, todo o carinho de del Toro é perceptível nos detalhes.
Entretanto, mesmo com todo o cuidado com a parte técnica, nada nesse Frankenstein é tão diferente de qualquer outra das várias versões já feitas, principalmente no que diz respeito ao dilema entre criador e criatura. Todos os outros filme do diretor que tratam da humanidade no “monstruoso” como o citado anteriormente Pinóquio, ou A Forma da Água (2017) e até mesmo Hellboy (2004), são mais interessantes e melhor trabalhados. Parece que o assunto se esgotou antes dele finalmente conseguir fazer Frankenstein e agora parece mais uma repetição sem o mesmo brilho.

Oscar Isaac está bem no papel, mas pouco se vê além do cientista egocêntrico, Elordi é uma surpresa como monstro, já que com seus quase 2 metros tem uma imponência incrível e a maquiagem o deixa quase irreconhecível, muito embora eu particularmente não seja o maior fã do design do monstro em si. O restante do elenco conta com coadjuvantes de luxo como Christoph Waltz, Mia Goth e Charles Dance, que são apenas funcionais a narrativa, sem grande desenvolvimento.
O filme é narrado por Victor, que no presente conta sua vida pregressa, e depois mostra o ponto de vista da criatura e suas 2h29 acabam pesando bastante no final. Frankenstein acaba sendo um tanto cansativo e mesmo todo cuidado de del Toro na parte técnica, o cerne dele em suas questões existências acabam deixando a desejar.
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