PUBLICADO EM 25/06/2025

M3GAN 2.0

 

M3GAN 2.0

M3GAN (2022) foi um baita sucesso comercial, principalmente por seu baixo orçamento e bom retorno de bilheteria, mas o maior trunfo foi ter estabelecido uma boa personagem principal, o que garantiria continuações. Se no primeiro filme a ideia era puxar a narrativa mais para o terror, isso foi devidamente abandonado na sequência, que é basicamente um filme de ação com pitadas de humor. Como se um Missão Impossível não se levasse a sério.

Na trama temos uma nova arma robótica de nível militar conhecida como Amelia (Ivanna Sakhno) tornando-se cada vez mais autoconsciente e perigosa para a raça humana. Na esperança de detê-la, Gemma (Allison Williams) decide ressuscitar Megan, tornando-a mais rápida, forte e letal. 

A discussão sobre Inteligência Artificial ganha totalmente os holofotes, e a ideia do “brinquedo assassino” é escanteada. Temos uma trama que envolve governo estadunidense, FBI, conspiração industrial e no meio disso o debate ético sobre o uso das inteligências artificias. Mas nada disso é explorado de forma muito profunda. A impressão que dá é que o diretor e roteirista Gerard Johnstone e a roteirista Akela Cooper, simplesmente chutaram o pau da barraca e tiveram carta branca para elevar o nível da trama, deixando de ser aquele terror de segunda categoria.

A Megan até demora para aparecer, e ainda mais para ganhar seu corpo e partir para ação. Ela continua sendo estranha, ainda mais agora que seu corpo é maior mas suas feições continuam sendo as de uma criança. Quando comparada com sua adversária, que é representada visualmente como uma humana normal, a estranheza é ainda mais ressaltada.

Se M3GAN 2.0 ficasse apenas na ação, seria um filme muito genérico, mas ainda bem que realizadores tem total ciência do material que estão trabalhando e colocam doses cirúrgicas de humor. Ela tem novamente seu momento dançarina, mas o ponto alto dessa vez é ela cantando. É uma cena constrangedoramente engraçada. Outra prova do tipo de humor buscado é a adição no elenco de Jemaine Clement (O Que Fazemos nas Sombras), que conta com sua cota de cenas meio ridículas.

Os diálogos são muito expositivos para tentar deixar a trama cabeçuda mais palatável para um público mais abrangente, mas sinceramente é algo totalmente desnecessário, pois eu duvido que alguém se importe com toda a trama governamental apresentada.

Se no primeiro filme tivemos a relação entre a boneca e a criança como ponto central, aqui Gemma tem sua relação com Megan melhor explorada, o que também a ajuda em sua relação com Cady (Violet McGraw) que invariavelmente irá seguir seus passos.

Com uma redenção para todas as maldades executadas por Megan no primeiro filme, a continuação é uma galhofa da melhor qualidade, que talvez decepcione quem espera algo mais pesado, mas prova que pelo menos ninguém está acomodado e a intenção é sempre levar a franquia pra frente.

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  3.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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