PUBLICADO EM 09/01/2026

Marty Supreme

 

Marty Supreme

Marty Supreme é até agora a produção mais cara da A24, orçado na casa de US$70, mostrando a confiança do estúdio no projeto de Josh Safdie, que dirige um longa-metragem pela primeira vez sem seu irmão Benny Safdie. Pelo teor caótico da história é possível notar uma semelhança maior com Joias Brutas (2019), do que o trabalho solo de seu irmão.

O filme narra a história ficcional de Marty Mauser (Timothée Chalamet), baseada na vida de Marty Reisman, um talentoso, mas problemático, jogador de tênis de mesa de Nova York que, movido por uma ambição desmedida, busca a grandeza no esporte, passando de apostas de rua à fama.

Ambientado nos anos 50, o filme tem muita atenção aos detalhes de design de produção e figurino, fazendo uma reconstrução muito fiel da época. Tanto os cenários luxuosos de hotéis quanto nos cortiços ou ruas movimentadas de NY são muito bem construídos e emoldurados em tela. Em contraponto a isso temos uma trilha sonora deslumbrante, que usa muito sintetizadores, construindo uma atmosfera quase etérea e atemporal, além de utilizar vários hits dos anos 80 como Forever Young e Everybody Wants to Rule the World.

Até a primeira meia hora de filme é possível dizer que um padrão de filme de esporte é seguido, com a busca pela superação das adversidades e do protagonista tentando mostrar seu valor mesmo sendo um azarão. Mas a figura egocêntrica e petulante de Marty faz com que sua sede de vencer a qualquer custo o leve a lugares e situações sempre muito complicadas. Tudo pode dar errado a qualquer momento, a até quando as coisas dão certo é de alguma forma meio torta.

Chalamet é o fio condutor essencial da história, sua energia e entrega ao papel elevam o nível da produção. Comparando com uma atuação mais introspectiva em Duna, ou em uma mais lúdica e divertida em Wonka, aqui ele entrega possivelmente sua melhor atuação na carreira. Ele é o perfeito malandro falastrão que quando é posto contra a parede não vê o mínimo problema em se humilhar, desde que consiga o que quer. É simplesmente hipnótico ver o nível de confiança de alguém que claramente não tem um plano tão bem definido mas se joga de cabeça em qualquer situação sem o menor pudor de mentir e manipular.

Mesmo tendo o tênis de mesa como plano de fundo e motivador central do filme, a jornada de Marty é o real ponto de interesse do longa, que com suas 2h29 simplesmente não deixa o ritmo cair em nenhum momento. A sucessão de fatos e incidentes sempre levam a outras situações cada vez mais imprevisíveis.

Safdie entrega uma epopeia moderna sobre o sonho americano e o self-made man, onde a busca pelo topo pode botar tudo a perder num estalo de dedos, e a real vitória não está necessariamente em chegar ao topo, mas em sobreviver.

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SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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