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24 Sep 2020

O Diabo de Cada Dia

3 min de leitura

O Diabo de Cada Dia é o novo longa original Netflix dirigido por Antonio Campos, adaptando O Mal Nosso De Cada Dia, livro escrito por Donald Ray Pollock.

O longa segue linhas do tempo distintas acompanhando vários personagens numa pequena cidade no interior de Ohio, nos EUA, entre 1940 e 1960. A primeira parte do filme foca quase que exclusivamente em Willard Russell (Bill Skarsgård), que acabou de voltar da segunda guerra mundial e trás consigo traumas irreparáveis. Num ritmo bem comedido, temos nessa parte os alicerces que irão sustentar Arvin Russell (sua versão mais velha sendo interpretada por Tom Holland). Todo contato que Arvin tem com religião e violência, determinam suas escolhas no futuro.

Essa inclusive é a uma das tônicas do filme, discutir a presença da religião na vida das pessoas, como ela influência nossas ações, e como as pessoas se utilizam dela para manipular e cometer todo tipo de ato. Maior exemplo disso é o personagem de Robert Pattinson, novo pastor que chega a cidade e usa de seu charme e status para conseguir o que quer. Apesar de pontual, sua presença é marcante, e a interpretação propositalmente exagerada dá o tom de canalhice necessária ao personagem.

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As outras duas narrativas principais são a do policial Lee Bodecker (Sebastian Stan), que tenta se eleger a um cargo político e da sua irmã Sandy Henderson (Riley Keough) e seu marido Carl (Jason Clarke), que tem um segredo bastante sombrio. As tramas parecem um pouco avulsas mas se conectam lá no final. O roteiro é meio desequilibrado, já que claramente volta sua atenção com prioridade pra narrativa dos Russel, e a edição não ajuda muito, as vezes meio repetitiva e não dosando o ritmo de cada vertente da história.

Além da religião, a violência é outro tema explorado aqui de forma enfática, os vários tipos dela, e muitas vezes os dois temas andam de mãos dadas. Holland está muito bem no papel, ele entrega ao seu personagem a introspecção necessária de uma pessoa simples e boa que ganha uma casca dura pelas coisas ruins que acontecem em sua trajetória.

O Diabo de Cada Dia tem um ritmo devagar no começo, mas que se desenvolve mais na metade final, mostrando facetas diferentes de quase tudo que pode existir de ruim na sociedade, através de uma violência crua e de uma fé cega.

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