A filmografia do diretor e roteirista David Robert Mitchell, apesar de curta, é no mínimo interessante, principalmente pelos seus dois últimos filmes: o bom terror Corrente do Mal (2014), e controverso suspense O Mistério de Silver Lake (2018). Agora em O Fim da Rua, Mitchell arrisca nos gêneros de ficção científica e pós-apocalíptico.
Na trama, após um misterioso evento cósmico arrancar a Rua Oak do subúrbio e transportar o bairro todo para um lugar desconhecido, a família Platt logo descobre que sua sobrevivência depende de permanecerem unidos enquanto enfrentam um ambiente agora irreconhecível.
É curioso pensar que uma boa forma de resumir esse filme para alguém que não sabe nada sobre ele seria dizer que é uma mistura de Jurassic Park com Um Lugar Silencioso, mas no caso essa mistura deu totalmente errado e gerou um monstro de Frankenstein que decidiu ir morar no esgoto.

A ambientação do filme é em algum momento dos anos 70 ou 80, e isso nunca fica muito claro e nem faz muita diferença, parece só um jeito bobo de apelar pra nostalgia de filmes dessa época, quando as coisas eram “mais simples”. Toda a apresentação da família branca de comercial de margarina morando no típico subúrbio norte americano, mas que no fundo enfrenta alguns problemas já dá o tom meio patético que se segue no restante do filme. Não há crítica, não há profundidade, não dá nem pra chamar de paródia pois tudo parece se levar a sério demais.
É tentado criar um ar de mistério sobre o que vai acontecer, sobre o que é a ameaça, mas o próprio trailer já revela que são dinossauros. Depois de largarem mão do suspense e mostrarem qual é a ameaça, uma explicação genérica é dada para os acontecimentos, numa cena de diálogo entre a família que inexplicavelmente é usada a técnica de dioptria dividida a exaustão.

O CGI dos dinossauros é bem decente, e pode se dizer que é o ponto forte do filme, mas não existe nenhuma situação realmente elaborada onde eles aparecem, é um amontoado de situações onde invariavelmente eles se colocam em situação de perigo para gerar novas cenas de perseguição.
É inacreditável como um filme desse tamanho com tantos profissionais envolvidos tem um roteiro tão preguiçoso. O drama familiar é risível, havendo constantemente uma inversão de prioridades no meio desse pseudo-apocalipse, veja bem, existem pessoas sendo devoradas na sua rua por dinossauros mas o casal acha por bem discutir sobre sua relação no meio disso tudo.
Não serei eu que a essa altura do campeonato irei questionar a qualidade da atuação de Anne Hathaway, mas fica claro que ela não foi feita pra levar sustos e confrontar dinossauros de CGI. Inclusive a julgar pela barrigona exibida no tapete vermelho da pré-estreia do filme ela deve ter aceitado o cachê para fazer o enxoval do seu vindouro bebê.

Pra fechar com chave de ouro, o filme termina criando um paradoxo temporal dos mais básicos possíveis, e fica por isso mesmo, nada tem real consequência e a família de comercial de margarina pode ser feliz novamente. Umas grandes decepções de 2026 até o momento.


