O Telefone Preto foi uma grata surpresa de 2021, usando como base o conto de Joe Hill, há uma expansão da história, bom aproveitamento da ambientação nos anos 80, e ótimas performances do novato Mason Thames e do veterano Ethan Hawke, que surpreende fazendo um serial killer, algo muito diferente dentro da sua filmografia.
Um dos grande pontos de interrogação era se haveria realmente motivo para a continuação existir, já que o conto original, com aproximadamente 30 páginas, e já tinha sido expandido no primeiro filme. As chances da narrativa se perder eram grandes, mas felizmente não é isso que acontece.
Na trama do novo filme, acompanhamos Finn (Mason Thames), que tenta se adaptar com a nova vida após escapar do cativeiro e matar o assassino. Já Gwen (Madeleine McGraw), começa a receber ligações em seus sonhos através do telefone preto e a ter visões perturbadoras de três garotos sendo perseguidos no acampamento de inverno Alpine Lake. Com isso, Gwen convence seu irmão a ir até o acampamento e juntos, eles terão que enfrentar novamente O Sequestrador (Ethan Hawke) que se tornou ainda mais poderoso após a morte e mais ligado a eles do que jamais poderiam imaginar.

Logo de cara é possível perceber que o diretor e roteirista Scott Derrickson e o roteirista C. Robert Cargill, estão preocupados com o desenvolvimentos dos personagens principais. Mesmo com a passagem de tempo, os jovens ainda tem que lidar com as consequências dos acontecimentos brutais do primeiro filme, e como isso afeta sua vida social e a dinâmica entre eles próprios, que não são mais crianças, e sim adolescentes.
A fim de tornar tudo ainda mais pessoal e possivelmente sentimental, nos aprofundamos mais na história da família dos jovens, sobretudo a mãe que teve uma morte prematura. De alguma forma tudo acaba se conectando, o que pode soar meio conveniente, mas pelo menos é bem elaborado e faz sentido.
Desde o primeiro filme é possível perceber um pouco da influência do pai de Joe Hill, Stephen King, com foco maior em It: A Coisa, mas nesta continuação, pelo cenário de acampamento e da nova maneira que O Sequestrador age, através dos sonhos, é impossível não fazer a conexão com dois dos maiores ícones do slasher: Jason de Sexta-Feira 13 (1980) e Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo (1984). Entretanto Derrickson não se deixa levar pela nostalgia barata ou simples cópia, ele imprime sua própria personalidade as influências.

Quando estamos em algum segmento de sonho a fotografia do filme fica mais granulada e remete a filmes antigos, como se fosse alguma gravação antiga achada. O filme tem um clima muito mais tenso, com suspense e gore, do que assustador em si, há apenas um jump scare, e ele realmente funciona.
McGraw tem mais espaço para desenvolver sua personagem e usar suas habilidades, enquanto Thames oferece um lado mais dramático de seu personagem. Hawke novamente tem uma presença marcante, e se torna uma ameaça ainda mais perigosa voltando do mundo dos mortos. Não é exagero dizer que O Sequestrador se consolida como um dos grandes vilões do slasher contemporâneo.
O Telefone Preto 2 entrega uma continuação ainda melhor que o filme original, aproveitando tudo que funcionou no primeiro filme, expandindo sua mitologia, trabalhando muito bem seus personagens e estabelecendo um vilão de peso.
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