PUBLICADO EM 14/03/2025

Parthenope: Os Amores de Nápoles

 

Parthenope: Os Amores de Nápoles

Parthenope: Os Amores de Nápoles é o mais recente filme do diretor e roteirista italiano Paolo Sorrentino (A Grande Beleza; A Mão de Deus). Nesta sua nova produção ele utiliza a figura feminina para falar sobre Nápoles.

A sinopse do filme diz: “No caos agitado de Nápoles, acompanhamos a história de Parthenope (Celeste Dalla Porta), uma força da natureza, do pós-guerra até os dias atuais. Este conto narra sua busca incansável por liberdade, seu amor visceral por uma cidade de mil rostos e as inúmeras formas do amor – algumas edificantes, outras destrutivas, muitas mantidas em segredo.”

Na mitologia grega, Parthenope era uma sereia que fundou a cidade de mesmo nome, que mais tarde de tornaria Nápoles. Sorrentino honra o mito ao escolher sua protagonista, de beleza arrebatadora e que provoca o desejo de quase todos com quem cruza seu caminho, tal qual uma sereia com os marujos em alto mar. Esse desejo também muitas vezes se torna algo fatal. Não a toa também a primeira cena do filme vemos ela nascendo, no mar.

A fotografia do filme é belíssima, usufruindo das belas paisagens da costa de Nápoles, tanto de dia quanto de noite. A trilha sonora também é outro ponto alto, canções que envolvem e enriquecem as cenas, incluindo a faixa A Gira do grupo brasileiro Trio Ternura.

Apesar dos grandes trunfos técnicos do longa, o seu maior problema se encontra no roteiro. Alguém que não conhece Nápoles não irá conseguir pegar todas as minucias e os subtextos da história. A personagem Parthenope, acaba sendo uma personagem um tanto vazia, que se move apenas pelo desejo, tanto carnal, quanto de pertencimento. Seu trauma estabelecido no começo do filme nunca chega a ser bem desenvolvido.

Existe uma série de personagens caricatos que aparecem ao longo do filme, que quase nunca tem algum impacto de fato. Fora seu amigo de infância e seu orientador da faculdade, todos vem e vão apenas como mais uma anedota na vida da protagonista. Um personagem específico que aparece bem no final abre as portas totalmente para algo mais fantasioso, até então inédito no filme, que pode ser vistos com outros olhos numa segunda apreciação, mas acaba deixando mais perguntas que respostas.

Sorrentino faz visualmente uma belíssima homenagem a sua cidade natal, criticando e admirando na mesma medida. Algo como “ruim com ela, pior sem”, pena que ela acaba ficando vazia e sendo extremamente limitada para quem não conhece sua história ou sua vivência.

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  2.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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