Após o filme de 1987 a franquia Predador passou por mal bocados ao longo de muitos anos, com continuações e remakes de qualidade muito aquém do esperado. Tudo mudou quando Dan Trachtenberg assumiu a franquia e deu um novo gás para ela com O Predador: A Caçada (2022), que mesmo tendo sido lançado diretamente em streaming por falta de confiança da 20th Century Studios, obteve uma ótima repercussão tanto de crítica quanto de público.
Com o sucesso ele teve sinal verde para continuar esse projeto ambicioso de expandir a mitologia do Predador, lançando este ano o inesperado Predador: Assassino dos Assassinos, ótima animação que também chegou direto em streaming e finalmente Predador: Terras Selvagens, a volta em grande estilo da franquia para os cinemas.

A trama se passa em algum momento no futuro, em um planeta remoto, onde um jovem Predador chamado Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), excluído de seu clã, encontra uma aliada improvável em Thia (Elle Fanning) e embarca em uma jornada traiçoeira em busca de redenção, vingança e do adversário final.
Mais uma vez Trachtenberg mostra que é realmente apaixonado pela franquia, ele sabe o que um filme de Predador precisa para ser bom e ele usa essa base de caçada e violência para ir além. Pela primeira vez, após tantos anos, temos um Predador como protagonista de um filme, e isso permite que realmente possamos explorar um pouco mais a cultura dos Yautja.
Um dos principais fatores do filme funcionar entretanto é a humanização desse Yautja, que simplesmente quer se provar digno de entrar para o seu clã e mostrar para o pai que é de fato um guerreiro valoroso. Thia entra no meio desse processo, o ajudando a enxergar as coisas por outra perspectiva além da brutalidade do seu povo, e também descobrindo humanidade em si própria, já que é uma sintética trabalhando para a Weyland-Yutani (sim a mesma empresa da franquia Alien).

Após chegar ao planeta Genna atrás de sua caça, Dek passa por vários desafios, como fases de vídeo game, e o roteiro escrito por Trachtenberg e Patrick Aison é muito hábil em não deixar essas coisas ficarem jogadas de forma aleatória, tudo de alguma forma acaba tendo alguma serventia na grande cena final de ação.
Falando em ação, é verdade que as cenas aqui apesar de competentes, não chegam a ser tão bonitas visualmente ou muito requintadas. Em determinados momentos é até meio confuso saber como tudo está se desenrolando e meio a cortes rápidos e pouca iluminação. Os cenários no planeta também são meio básicos, embora haja uma criatividade em como a fauna e flora é explorada, visualmente não há nada que encha os olhos.

Schuster-Koloamatangi está muito bem, mesmo em baixo de próteses e maquiagens, ele entrega a brutalidade necessário ao personagem. O grande destaque fica por conta de Elle Fanning, que interpreta dois papéis distintos e dá um tom diferente para cada um dos seres sintéticos. Thia é simplesmente radiante e carismática, e acaba sendo um contraponto para rigidez de Dek, dinâmica que não é nenhuma novidade, mas que é muito difícil de não funcionar. Tessa é justamente o contrário, metódica e fria, está mais próxima de outros seres sintéticos vistos comumente nos filmes de Alien.
Apesar de ter a ação e sanguinolência que se espera de um filme de Predador, o filme se torna único por justamente subverter a expectativa e mostrar que ser uma máquina de matar desenfreada pode não ser o melhor caminho. O discurso do filme é tão claro quanto surpreendente vindo de um filme da franquia Predador, mas não deixa de ser muito bem vindo.
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