Mais uma vez a primeira família da Marvel Comics chega aos cinemas com uma nova roupagem, através do longa Quarteto Fantástico: Primeiros Passos comandado por Matt Shakman. O grande diferencial desta vez seria a conexão direta com outros heróis já estabelecidos no MCU. Mas isso não é o que realmente acontece nesse primeiro momento.
No universo alternativo 828, forçados a equilibrar seus papéis como heróis e a força dos laços familiares, o Quarteto Fantástico deve defender a Terra de um deus espacial voraz chamado Galactus e sua enigmática arauta, a Surfista Prateada.
Apesar de ser uma nova introdução da equipe, este não chega a ser um filme de origem. Somos apresentados aos personagens, e como eles ganharam seus poderes em uns 20 minutos, depois disso vamos vendo um pouco da dinâmica entre a família e nos ambientando nesse mundo retrofuturista, que mistura coisas vintage dos anos 60 com alta tecnologia.

Todo o design de produção e os figurinos são impecáveis, nos transportando pra esse novo mundo, que de fato é bem diferente do universo padrão que normalmente vemos no MCU. Infelizmente não conseguimos ver muito além do centro de Nova York onde grande parte da trama se passa, e é difícil imaginar que um universo que desenvolveu desta forma não tivesse desdobramentos interessantes para serem desenvolvidos.
O filme é bastante ágil em estabelecer seus pontos de interesse, primeiramente a dinâmica da família, que está prestes a ficar maior com a descoberta da gravidez de Sue Storm (Vanessa Kirby) e depois da ameaça de Galactus (Ralph Ineson) anunciada pela Surfista Prateada (Julia Garner). Inclusive o primeiro encontro dos heróis com o vilão é onde o filme mergulha totalmente na ficção científica e exploração espacial tão presente nas aventuras do grupo nos gibis. O design, a voz, e o primeiro vislumbre do Galactus em tela são incríveis.

A partir daí o filme poderia ir para alguns caminhos mais interessantes, mas escolhe algo mais padrão e foca novamente na dinâmica familiar de forma mais emocional, e com o acréscimo da opinião popular sobre o grupo. A dinâmica do grupo em si é maravilhosa, mas o grande destaque é Sue, que tem o arco mais consistente e bem definido. Pedro Pascal como Reed Richards está muito bem, mas nada que já não se esperasse dele. O Johnny Storm de Joseph Quinn, apesar de manter seus traços de rebelde e mulherengo, tem um pouco mais a fazer do que em todas as suas outras encarnações juntas. Por fim o Coisa de Ebon Moss-Bachrach infelizmente acaba ficando um pouco mais apagado, embora seja extremamente carismático ele serve apenas como apoio para o grupo num geral.
Os efeitos especiais parecem ser um pouco inconstantes, em alguns momentos são bons, em outros deixam muito a desejar, principalmente com o Tocha Humana, a Surfista e a batalha final contra o Galactus, que acaba perdendo impacto por não ter um grande desenvolvimento e não conseguir entregar o nível de ameaça prometido.
Entre altos e baixos, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não se arrisca muito, estabelecendo uma forte base para o que vem a seguir e mostrando um grande respeito pelo material base como nunca antes visto no cinema. É inegável a vontade de ver como essa história vai continuar, como fazia algum tempo que o MCU não fazia.
Nós estamos no Facebook e você também pode nos achar no Instagram, e Twitter, curta as páginas e fique por dentro do UNIVERSO REVERSO.