PUBLICADO EM 27/10/2025

Springsteen: Salve-me do Desconhecido

 

Springsteen: Salve-me do Desconhecido

Confirmando uma tendência atual de Hollywood, temos mais uma grande cinebiografia chegando aos cinemas, dessa vez com foco no cantor e compositor norte-americano Bruce Springsteen, que obteve o auge de sua carreira na segunda metade dos anos 80 e início dos anos 90. Curiosamente o recorte escolhido para contar a história é justamente antes desse período.

Em Springsteen: Salve-me do Desconhecido, o diretor e roteirista Scott Cooper adapta o livro Deliver Me From Nowhere escrito por Warren Zanes, retratando o processo de criação do álbum Nebraska, lançado em 1982. Feito em um gravador no quarto de Springsteen em Nova Jersey, o álbum marcou um ponto de virada em sua vida e é considerado um de seus trabalhos mais intimistas e sombrios. 

Após o sucesso do álbum e da turnê de The River de 1980, havia uma certa pressão da gravadora para Bruce fazer rapidamente um novo disco com potenciais singles e aproveitar o momento para consolidar de vez sua carreira e expandir seu estrelato globalmente. Mas essa não era exatamente a vontade nem a visão artística do cantor. Ao voltar para suas raízes ele percebe que precisa encarar fantasmas do passado e tirar sentimentos sombrios de dentro de si, e o resultado são canções acústicas, que lidavam com sentimentos mais profundos.

Um dos grandes desafios para Bruce é lidar da relação com o pai (Stephen Graham), que sempre foi muito bruto e tinha dificuldades de demonstrar afeto. Temos diversos momentos de flashbacks em preto e branco, que passam alguns momentos da infância do músico. Nenhum desses momentos parecem ser muito marcantes ou realmente significativos, parecem apenas recortes de de coisas que aconteciam corriqueiramente durante sua infância.

Além de escrever as canções e lidar com seus demônios pessoais, Springsteen também começa e se relacionar com Faye Romano (Odessa Young). A personagem tinha muito potencial, mas não é tão bem aproveitada pelo filme, assim como quase todo elenco de apoio, que conta com nomes ótimos como Jeremy Strong e Paul Walter Hauser.

A verdade é que existe um sentimento de vazio que permeia todo o filme, os conflitos estabelecidos, não chegam a ser conflitos reais. Não há bloqueio criativo, não há ninguém na gravadora tentando sabotar o lançamento do seu álbum, nada o impede de ficar com a ótima garota que ele conheceu, e seu pai por mais complicado que seja, já é um senhor idoso e inofensivo, e que aparentemente reconhece seus erros do passado.

Até o próprio álbum Nebraska parece ser desvalorizado no filme, já que os números musicais mais marcantes são “Born to Run” logo no começo do longa mostrando o final da sua turnê de sucesso, a gravação de “Born in the U.S.A.” que acaba sendo engavetada para só ser lançado no seu próximo álbum, e alguns covers que Bruce canta no bar com seus amigos.

O ponto alto é realmente a atuação de Jeremy Allen White, que de alguma forma consegue incorporar perfeitamente os trejeitos de Springsteen, sem ser caricato. Aparentemente ele também canta boa parte das músicas, mas pode haver algum tipo de mixagem com as gravações originais para melhorar ainda mais sua performance. É possível até traçar algum paralelo com seu personagem na série The Bear, o que de alguma forma também ajuda na identificação do público com sua atuação.

Apesar da boa fotografia, e ser um filme na maior parte do tempo correto, faltam obstáculos verdadeiramente complicados para Springsteen: Salve-me do Desconhecido conseguir emocionar ou ganhar pelo carisma da figura emblemática do cantor.

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  2.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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