Super Mario Galaxy: O Filme, continuação do sucesso de 2023, era uma aposta certa, com tudo pra dar certo. Com uma base sólida estabelecida e personagens carismáticos, o intuito agora seria expandir esse universo, com novas aventuras e mais personagens, e essa continuação faz isso, mas de forma preguiçosa e atabalhoada.
Uma das coisas mais legais no primeiro filme, a interação e desenvolvimento dos personagens, aqui fica jogada. Todos os vínculos pré-estabelecidos não conseguem ser aprofundados, e existiam dinâmicas ótimas que poderiam ter sido exploradas do protagonista e seus coadjuvantes, fica tudo muito raso.

Além disso, todos os novos personagens são introduzidos de forma mecânica, muito mais para cumprir alguma função do que ter algum carisma ou desenvolvimento, com uma pequena exceção ao Bowser Jr., que tem uma relação mimicamente bem estabelecida com seu pai, mas que no fundo está ali apenas com intuito de vingança.
O roteiro tem várias conveniências, e acaba virando apenas cortes de pequenos seguimentos de ação que quando agrupados formam uma narrativa frágil e preguiçosa, e não adianta usar a cartada de que “é um filme para crianças”, pois o primeiro filme mostrou que é possível fazer algo coeso e caprichado, e não apenas um desfile de easter eggs.

Quanto a qualidade gráfica não há o que reclamar. Os designs de personagens são ótimos, a animação é fluída, brilhante e cheia de vida, mas apesar do conceito deles se aventurarem para vários mundo dentro dessa galáxia, nenhum cenário chega a chamar tanto a atenção assim, com exceção do cassino.
A dublagem do longa (que é oferecida como opção em pelo menos 95% das sessões de cinema) é boa, inclusive com comentários de que ela melhora muito o clima do filme, já que Raphael Rossatto consegue usar todos os maneirismos do encanador bigodudo, diferente de Chris Pratt, que aparenta ser muito limitado nesse quesito, não conseguindo desempenhar uma tarefa simples de ator de voz.
Obviamente a criançada vai adorar as cores, a ação e algumas piadas bobas, mas no fundo este filme parece apenas um tapa buraco para aproveitar a onda do momento, como um pastel de vento, bonito de se olhar mas que falta recheio.


