A série Knives Out do diretor e roteirista Rian Johnson já pode ser considerada um grande evento dentro e fora da plataforma da Netflix. O público já espera um grande mistério, um grande elenco e Daniel Craig esbanjando carisma com um dos grandes personagens criados na última década.
Na trama de Vivo ou Morto, Benoit Blanc (Craig) retorna para o caso mais sombrio e perigoso até agora de sua carreira. Depois que um assassinato repentino e aparentemente impossível de um padre (Josh Brolin) abalar a cidade, a falta de um suspeito óbvio leva a polícia local a unir forças com o renomado detetive para desvendar um mistério que desafia toda a lógica.

Apesar de sempre tocar em assuntos pertinentes e cutucar feridas da sociedade no meio do mistério e descontração, desta vez Johnson mergulha em temas mais complexos e reflexivos como religião, redenção e o poder de influência que figuras de autoridade tem nas pessoas. E ele consegue fazer isso sem deixar de lado tudo que faz Knives Out ser tão divertido.
A introdução do longa mostra todo o elenco da pequena paróquia que fica vidrada com os sermões pouco ortodoxos do Monsenhor Jefferson Wicks, personagem de Brolin, e tudo que leva a sua morte. Johnson toma todo o tempo necessário pra isso e Blanc só aparece de fato no filme aos 40 minutos de duração.
Como nos outros filmes, temos a figura que acompanha e auxilia Blanc na resolução do mistério, e em Vivo ou Morto Josh O’Connor ocupa essa função brilhantemente. Seu personagem, o Padre Jud Duplenticy, tem um passado um pouco complicado mas acabou achando a vocação para auxiliar as pessoas através da fé. Ele é sem dúvida o personagem mais interessante e com camadas que passou por essa função na cinessérie até aqui. O’Connor consegue imprimir a leveza graciosidade necessária do jovem padre que quer genuinamente ajudar o próximo, mas também é extremamente carismático, a ponto de conseguir ofuscar Blanc em vários momentos, algo realmente digno de nota.

Mesmo com o elenco estrelado, nem todo mundo consegue ter realmente destaque, o que já era de se esperar. Alguns personagens estão ali apenas para deixar o espectador com um pulga atrás de orelha, no melhor estilo Agatha Christie. Em determinado momento você pode ter uma ideia geral do que aconteceu, mas a história tem algumas camadas que fazem você ficar fisgado até o final pra entender realmente tudo que aconteceu, e o mais importante, porque aconteceu. Johnson já deixou que o mistério em si nem sempre é o mais importante, mas as motivações e que isso implica para os personagens da história.
Em termos de direção, fotografia e composição das cenas, esse é o mais bonito dos três filmes. Toda a iluminação da igreja, com a luz natural passando pelas janelas o uso do contraste entre o claro e escuro, tanto nas cenas de dia quanto de noite é muito bem feito.

Mesmo com suas 2h24 de duração, o mais longo da franquia até agora, você se sente investido o suficiente na trama para não sentir o tempo passar.
Vivo ou Morto consolida de vez a franquia e mostra que ela pode se manter por quanto tempo Rian Johnson e Daniel Craig quiserem, pois onde houver um grupo de pessoas esquisitas e um crime sem solução, estaremos lá com Benoit Blanc para solucionar o mistério.
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