PUBLICADO EM 17/12/2025

Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

 

Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

A série Knives Out do diretor e roteirista Rian Johnson já pode ser considerada um grande evento dentro e fora da plataforma da Netflix. O público já espera um grande mistério, um grande elenco e Daniel Craig esbanjando carisma com um dos grandes personagens criados na última década.

Na trama de Vivo ou Morto, Benoit Blanc (Craig) retorna para o caso mais sombrio e perigoso até agora de sua carreira. Depois que um assassinato repentino e aparentemente impossível de um padre (Josh Brolin) abalar a cidade, a falta de um suspeito óbvio leva a polícia local a unir forças com o renomado detetive para desvendar um mistério que desafia toda a lógica.

Apesar de sempre tocar em assuntos pertinentes e cutucar feridas da sociedade no meio do mistério e descontração, desta vez Johnson mergulha em temas mais complexos e reflexivos como religião, redenção e o poder de influência que figuras de autoridade tem nas pessoas. E ele consegue fazer isso sem deixar de lado tudo que faz Knives Out ser tão divertido.

A introdução do longa mostra todo o elenco da pequena paróquia que fica vidrada com os sermões pouco ortodoxos do Monsenhor Jefferson Wicks, personagem de Brolin, e tudo que leva a sua morte. Johnson toma todo o tempo necessário pra isso e Blanc só aparece de fato no filme aos 40 minutos de duração.

Como nos outros filmes, temos a figura que acompanha e auxilia Blanc na resolução do mistério, e em Vivo ou Morto Josh O’Connor ocupa essa função brilhantemente. Seu personagem, o Padre Jud Duplenticy, tem um passado um pouco complicado mas acabou achando a vocação para auxiliar as pessoas através da fé. Ele é sem dúvida o personagem mais interessante e com camadas que passou por essa função na cinessérie até aqui. O’Connor consegue imprimir a leveza graciosidade necessária do jovem padre que quer genuinamente ajudar o próximo, mas também é extremamente carismático, a ponto de conseguir ofuscar Blanc em vários momentos, algo realmente digno de nota.

Mesmo com o elenco estrelado, nem todo mundo consegue ter realmente destaque, o que já era de se esperar. Alguns personagens estão ali apenas para deixar o espectador com um pulga atrás de orelha, no melhor estilo Agatha Christie. Em determinado momento você pode ter uma ideia geral do que aconteceu, mas a história tem algumas camadas que fazem você ficar fisgado até o final pra entender realmente tudo que aconteceu, e o mais importante, porque aconteceu. Johnson já deixou que o mistério em si nem sempre é o mais importante, mas as motivações e que isso implica para os personagens da história.

Em termos de direção, fotografia e composição das cenas, esse é o mais bonito dos três filmes. Toda a iluminação da igreja, com a luz natural passando pelas janelas o uso do contraste entre o claro e escuro, tanto nas cenas de dia quanto de noite é muito bem feito.

Mesmo com suas 2h24 de duração, o mais longo da franquia até agora, você se sente investido o suficiente na trama para não sentir o tempo passar.

Vivo ou Morto consolida de vez a franquia e mostra que ela pode se manter por quanto tempo Rian Johnson e Daniel Craig quiserem, pois onde houver um grupo de pessoas esquisitas e um crime sem solução, estaremos lá com Benoit Blanc para solucionar o mistério.

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  4.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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