PUBLICADO EM 21/08/2025

Anônimo 2

 

Anônimo 2

Após estabelecer Anônimo (2021) como outra boa opção de franquia de ação no estilo John Wick, era de se esperar que o roteirista Derek Kolstad ampliasse ainda mais esse pequeno universo ou buscasse aumentar os riscos envolvidos, mas não é isso o que vemos necessariamente em Anônimo 2.

Quatro anos após ter enfrentado acidentalmente a máfia russa, Hutch (Bob Odenkirk) ainda deve 30 milhões de dólares à organização criminosa e está pagando a dívida com uma sequência interminável de assassinatos de criminosos internacionais. Por mais que goste da ação explosiva do seu “trabalho”, Hutch e sua esposa Becca (Connie Nielsen) se veem sobrecarregados e se distanciando um do outro. Por isso, decidem levar os filhos (Gage Munroe, Paisley Cadorath) para uma pequena viagem ao Wild Bill’s Majestic Midway and Waterpark — o único lugar onde Hutch, seu irmão Harry (RZA) e seu pai (Christopher Lloyd) passaram férias quando eram crianças.

Fica mais claro do que nunca que o direcionamento de Anônimo é algo bem mais leve e despojado que John Wick, afinal de contas seria impensável outro protagonista neste estilo de filme resolver tirar férias com a família num parque aquático, e “acidentalmente” topar com traficantes e policias corruptos. Toda a ação acontece na pequena cidade de Plummerville, e na verdade se restringe ainda mais ao parque aquático.

Kolstad decide fazer uma aventura enxuta e sem enrolação, o que remete muito a filmes dos anos 80, ainda mais com a ajuda da trilha sonora. O importante aqui é a porradaria franca e se no meio do caminho ele conseguir criar alguma empatia pelos personagens através do pequeno drama familiar, tanto melhor, mas já adianto que não há nada aqui que já não tenha sido explorado diversas vezes antes.

Timo Tjahjanto assume a direção do filme, e não foge muito do que já foi estabelecido anteriormente, ele aplica um senso estético irreverente e divertido a violência nua e crua. Utilizando de forma muito comedida a câmera lenta e por vezes acompanhando os movimentos quando alguém tem sua cabeça batida em alguma meda ou jogo de arcade, ele não decepciona.

Odenkirk surpreendentemente entrega novamente ótimas cenas de ação, embora nenhum personagem secundário brilhe. E é possível dizer que Sharon Stone como a vilã é um belo desperdício, por mais que tentem fazer dela uma ameaça implacável e descontrolada, com vários trejeitos e maneirismos, sua personagem acaba não tendo todo esse impacto desejado.

Apesar de sempre esperar alguma evolução em termos de narrativa ou estética, é de certa forma reconfortante ver que ainda é possível fazer bons filmes de forma simples e sem querer expandir tudo para uma crise de escala global. Anônimo 2 se garante na sua simplicidade e deve agradar quem já gostou do primeiro filme.

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  3.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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