PUBLICADO EM 04/04/2024

A Primeira Profecia

 

A Primeira Profecia

A Primeira Profecia é um prelúdio de A Profecia, clássico do terror lançado em 1976, e tudo levava a crer que seria apenas um filme caça níquel tentando revitalizar uma franquia meio esquecida, e contra todas as expectativas do que poderia se esperar desse tipo de projeto de terror mainstream, ele tem muitos méritos e qualidades.

A premissa base é bem simples, o longa acompanha uma mulher que acaba se metendo no meio de uma perigosa conspiração para trazer ao mundo o filho do anticristo. Anticristo esse que conhecemos no filme original de 1976, então o foco aqui é a mãe do danado, e tudo que envolve sua criação, ou quase tudo.

A diretora Arkasha Stevenson parece mais preocupada com a estética, e na verdade ela faz um ótima trabalho, criando um clima tenso e realmente assustador em determinados momentos, e não apelando para simples jumpscares, que existem mas de maneira dosada. Inclusive existem momentos bem grotescos e porque não dizer, corajosos, que dificilmente vemos em filmes dessa envergadura. Talvez algumas pessoas mais sensíveis até julguem essas passagens de mal gosto, mas eles estão bem colocadas aqui e servem ao propósito no quesito terror.

Stevenson também usa muito bem o horror corporal, e a trilha sonora em coral e a inserção de uma ou outra risada diabólica em momentos tensos causa um efeito muito mais sinistro do que se fosse algum gemido gutural ou coisa do tipo.

Nell Tiger Free está muito bem no papel principal, mas o elenco de apoio também é incrível, com destaque para Ralph Ineson, uma perturbada Ishtar Currie-Wilson, e Sonia Braga, que apesar de ter um maior destaque na parte final, tem uma cena crucial e rouba ela devido sua grande presença.

Apesar de todas as suas qualidades o grande problema pra mim é o roteiro, que parte de um princípio estúpido. E para poder deixar mais claro entrarei em SPOILERS, se não quiser saber pule este parágrafo!!! Eu avisei! Lá vai: A igreja quer conceber o anticristo pra fazer as pessoas temerem algo e voltarem a se converter e dedicar sua fé a Deus. Mas o tempo que eles perdem pra isso é impressionante. Se o capeta ao invés de ficar fazendo filha adoidado por aí tivesse aparecido EM PESSOA a qualquer momento em qualquer lugar, todo mundo ia pra igreja rapidinho, o porque de precisarem ter a figura do anticristo na terra especificamente nunca fica claro, nem o motivo de uma menina não poder exercer esse papel, o capeta além de tudo é sexista????

A pesar dessa premissa meio furada, o filme é muito bem feito e deixa um gancho realmente interessante para um próximo filme, o que é mais do que qualquer filme de terror consegue fazer nos dias de hoje, onde tudo parece homogeneizado e sem muita criatividade. Uma bela surpresa que vale cada susto!

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  3.5

 

SOBRE O AUTOR

Vinicius Lunas

Um rapaz simples de gosto requintado (ou não). Curto de tudo um pouco (cinema, tv, games, hq, música), bom em particularmente nada. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo, mas desde os 14 anos formando um bom gosto musical.

 

 


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